Pediatra da unidade venceu a doença durante a adolescência e hoje atua na principal referência para tratamento oncológico infantojuvenil no Norte do país
Luana Dias, pediatra do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, em Belém, sempre sonhou em ser médica. Ainda na infância, ela já sabia qual carreira gostaria de seguir e caminhou para realizar este sonho, que começou a virar realidade aos 17 anos, quando ingressou na faculdade de medicina. Porém, ainda no início do curso, ela recebeu o diagnóstico inesperado de câncer.
A notícia não a impediu de dar continuidade aos seus estudos. O tratamento se estendeu por alguns anos, e nem mesmo uma reincidência da doença, quando ela estava quase concluindo sua graduação, inviabilizou a realização de seu sonho.
“Não foi fácil manter os estudos e o curso durante o tratamento, mas consegui continuar. Passa um filme na cabeça porque sempre quis fazer pediatria e as muitas coisas aconteceram até que pude chegar aqui, agora curada e como médica formada”, conta Luana.
No mês dedicado à conscientização para o câncer na infância e juventude, o Setembro Dourado, a médica alerta para a importância de um diagnóstico precoce. “Consultas regulares ao pediatra, além de manter sempre a atenção a qualquer alteração na saúde das crianças são fatores que contribuem para a prevenção do câncer infantojuvenil. O diagnóstico e tratamento precoce aumentam consideravelmente as chances de cura”, alerta a pediatra.
Inspiração
Hoje, aos 28 anos, a profissional integra a equipe de pediatria intensiva do Oncológico Infantil e usa sua história de superação para inspirar outras crianças em tratamento na unidade, que é referência no diagnóstico e tratamento especializado do câncer infantojuvenil no Norte do país.
“Já estive do outro lado como paciente e sei que um diagnóstico de câncer é avassalador. É difícil viver além daquele momento. Mas, trabalhar em um Hospital como esse, é uma prova que é possível vencer o câncer”, ressalta Luana.
É o caso da pequena Maria Eduarda Freitas, de 11 anos. Em tratamento há seis meses na unidade, Maria Eduarda também sonha em ser médica e já elaborou um plano.
“Fiz uma promessa para melhorar logo: ser médica pediatra para retribuir todo o cuidado que recebo”, revela a jovem, que também já definiu onde vai trabalhar. “Quero trabalhar nesse hospital e ajudar outras crianças com câncer”, complementa.
Reencontro
Atuar no Oncológico Infantil também proporcionou à Luana um emocionante reencontrou com Alayde Vieira, uma das médicas que participou de todo o seu tratamento. Agora, elas atuam juntas para curar outras crianças. “Quando soube que ela viria para cá, fiquei muito emocionada. Toda criança que enfrenta um câncer terá uma história para contar ou para ser contada. Nosso papel é dar a oportunidade de elas viverem essa história com dignidade e esperança junto com suas famílias”, conta Alayde.
Gerenciado pela Pró-Saúde desde a sua abertura em 2015, o Hospital Oncológico Infantil recebe pacientes de municípios do Pará e outros estados da região Norte, como o Amapá, atendendo cerca de mil crianças e adolescentes na faixa etária de 0 a 19 anos incompletos.

