O que é Diabetes Gestacional e quais os riscos?

Diabetes Gestacional

Especialista do Hospital São Luiz, em Cáceres, explica tudo sobre a doença que afeta 14,3 milhões brasileiras

Durante a gravidez, o corpo da mulher passa por mudança ocasionadas principalmente pelo aumento de produção hormonal. A placenta, – órgão que só existe durante a gestação – reduz a ação da insulina, o que é compensado pelo pâncreas com um aumento de produção para driblar este quadro de resistência.

No entanto, em algumas mulheres este equilíbrio não ocorre, fazendo com elas desenvolvam Diabetes Mellitus Gestacional (DMG), caracterizado pelo aumento do nível de glicose no sangue. Isso pode acontecer com qualquer gestante e, na maioria das vezes, a situação se normaliza após o nascimento do bebê.

Segundo Evelyn de Souza, ginecologista da Pró-Saúde com atuação no Hospital São Luiz, em Cáceres (MT), o Diabetes Gestacional pode não apresentar nenhum sinal ou sintoma. “Normalmente, a gestante só descobre que está com a doença quando vai realizar exames de rotina, como medição da glicose, por exemplo. Mas em outras situações, ela pode causar sintomas como o aumento exagerado do apetite, cansaço excessivo, vontade de urinar frequentemente, visão turva e muita sede”, explica.

A especialista ressalta que o diagnóstico pode acontecer na primeira consulta do pré-natal, a partir do resultado da glicemia em jejum ou na 24ª semana de gestação, após a realização do teste oral de tolerância à glicose. “Após receber o diagnóstico, a mãe precisa se preparar para eventuais mudanças, que nem sempre são fáceis, já que consistem principalmente em mudanças nos hábitos de vida”, ressalta.

O diagnóstico pode assustar muitas gestantes, mas é possível levar uma gestação saudável adotando boas práticas. Por exemplo, substituindo carboidratos refinados como pão branco, doces e refrigerantes por opções integrais que são ricas em fibras, como pão integral, frutas e verduras. Além, de realizar alguns exercícios físicos durante esse período.

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o Brasil é o quarto país com maiores taxas de DMG na população adulta, com um total de 14,3 milhões de pessoas com a doença. A entidade também recomenda acompanhamento específico, com avaliações regulares da curva glicêmica, para manter as taxas de açúcar em ordem, e atenção extra à dieta passada pelo médico que acompanha a gravidez.

Quais os riscos para a gestante que descobriu a doença?

Quando o bebê é exposto a grandes quantidades de glicose ainda no ambiente intrauterino, há maior risco de crescimento fetal excessivo (macrossomia fetal) e, consequentemente, partos traumáticos, hipoglicemia neonatal e até de obesidade e diabetes na vida adulta.

“É importante bater na tecla do pré-natal, porque o acompanhamento correto evita complicações tanto para a mãe, quanto para o feto. Outra coisa fundamental que a mulher precisa saber é que ter DMG não impede um parto normal, desde que a glicemia esteja sob controle”, ressaltou a ginecologista.

O Ministério da Saúde recomenda que a mulher deve realizar ao menos seis consultas de pré-natal durante os nove meses de gravidez, sendo uma no primeiro trimestre, duas no segundo trimestre e três no terceiro trimestre, além de uma sétima consulta no puerpério (até 42 dias após o parto) – e esta agenda deve ser mantida mesmo neste período de pandemia.

 

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