Teste do Pezinho: entenda a importância de realizar esse exame no bebê

Pediatra do Hospital 5 de Outubro explica como o teste é realizado e sua importância

É impressionante como apenas uma picadinha no calcanhar do bebê pode detectar, de forma precoce, algumas doenças genéticas (herdadas do pai ou da mãe) e congênitas (ocasionadas durante o desenvolvimento no útero).

O Teste de Guthrie, popularmente conhecido como Teste do Pezinho, é de extrema importância para o acompanhamento da saúde do bebê em seus primeiros dias de vida. Tanto que o exame ganhou até uma data comemorativa, no dia 6 de junho, quando é celebrado o Dia Nacional do Teste do Pezinho, instituído por meio da portaria 822, do ano de 2001.

Segundo Iselene Moraes, pediatra do Hospital 5 de Outubro (HCO), unidade gerenciada pela Pró-Saúde em Canaã dos Carajás (PA), o Teste do Pezinho, ou Triagem Neonatal,  é simples, rápido e seguro. O exame é realizado por meio de uma amostra de sangue, que é retirada da parte lateral do calcanhar do bebê, por meio de um dispositivo chamado lanceta. O ideal é que o exame seja realizado nos primeiros dias de vida do bebê, seguindo os parâmetros determinados pelo Ministério da Saúde.

No processo, algumas gotas de sangue são recolhidas em um papel filtro com a identificação da criança, que será enviado ao laboratório para análise. O desconforto momentâneo causado no bebê durante a coleta é mínimo, principalmente considerando os benefícios à longo prazo que o teste proporciona.

“Essa amostra precisa ser retirada da lateral do calcanhar e nunca da pontinha, porque a criança pode evoluir para uma osteomielite, que é uma infecção óssea. No caso de prematuridade, o teste deve ser repetido com um mês de vida do bebê”, explica a profissional.

Trazido ao Brasil pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais  (APAE) em 1976, o exame de Triagem Neonatal é obrigatório e gratuito no país, desde 1992. Atualmente, a versão básica do teste, oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), detecta seis doenças: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, fibrose cística, anemia falciforme, hiperplasia adrenal congênita e a deficiência de biotinidase.

Na rede privada, a maioria das maternidades oferece o teste ampliado, com a capacidade de detectar até 48 patologias. “Essa triagem pode detectar esses transtornos antes que os sintomas apareçam, proporcionando um tratamento precoce e adequado, que melhora a saúde e qualidade de vida do bebê, prevenindo sequelas graves”, ressaltou Iselene.

O resultado pode demorar até 30 dias, mas geralmente, fica disponível em uma semana. Caso seja identificada alguma alteração, uma nova coleta deverá ser solicitada para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento.

 

As principais doenças diagnosticadas são:

– Fenilcetonúria: deficiência no metabolismo do aminoácido fenilalanina. O acúmulo desta substância no organismo pode comprometer o desenvolvimento intelectual.

– Hipotireoidismo Congênito: causado pela insuficiência do hormônio da tireoide. A falta de tiroxina pode causar comprometimento do desenvolvimento físico e intelectual.

– Fibrose cística: aumento das viscosidades das secreções, propiciando as infecções respiratórias e gastrointestinais. Ataca pulmões e pâncreas e não há cura.

– Anemia falciforme e outras hemoglobinopatias: alteração da hemoglobina que dificulta a circulação, podendo afetar quase todos os órgãos. Pode causar anemia, atraso no crescimento, dores e infecções generalizadas. Também não há cura.

– Hiperplasia adrenal congênita (HAC): doença genética, em que as duas glândulas suprarrenais (localizadas em cima dos rins), não funcionam corretamente, prejudicando a produção de hormônios essenciais para o corpo, como o cortisol e a aldosterona.

– Deficiência de biotinidase: doença genética, em que o organismo não é capaz de obter a enzima biotinidase, impedindo que os alimentos sejam processados ou metabolizados pelo organismo.

 

Hospital 5 de Outubro

O Hospital 5 de Outubro foi fundado pela empresa Vale e projetado para apoiar as operações da Mina Sossego e a implantação do projeto S11D. A unidade hospitalar é gerenciada desde 2006 pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, e possui estrutura de pequeno porte, com capacidade para atender casos de até média complexidade e congrega ambulatório para consultas eletivas, Pronto Atendimento 24 horas, instalações de internação com enfermarias e apartamentos individuais e suporte diagnóstico em diversas especialidades.

Em fevereiro de 2019, a unidade foi certificada pelo Programa Nacional da Qualidade (PNQ), concedido pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), que reconhece a qualidade e segurança da assistência.