Terapia Ocupacional não é ocupar o tempo livre

Terapia Ocupacional

Conheça a história de uma jovem terapeuta que integra a equipe Multiprofissional do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, que escolheu a profissão em um evento internacional do mercado editorial

“Desmistificar a atuação profissional que ainda é pouco compreendida por grande parte da população”, é esse o pensamento de Larissa Macedo, de 32 anos, que considera sua trajetória cheia de aprendizado e momentos especiais na área de Terapia Ocupacional.

Um dos momentos especiais foi ter sido residente do curso de Oncologia com ênfase no Cuidado Paliativo em um hospital público, em Belém, destinado a pacientes oncológicos adultos. Foi uma vivência que a fez compreender a fragilidade humana e principalmente sua finitude. Com essa experiência, segundo ela, passou a ver a vida e a morte de modo diferente; passando a dar valor às mínimas coisas que a vida lhe proporciona. Ela pôde constatar que não vê a morte mais como algo tenebroso, mas, sim, como um processo natural de vida.

A trajetória

Natural de Santarém – PA, a terapeuta começou sua trajetória, há 14 anos, quando ainda cursava o ensino médio. Despretensiosamente, foi a um evento internacional do mercado editorial em Belém. No local, havia um estande destinado à vocação profissional, ocasião em que Larissa teve contato com uma expositora acadêmica do curso.

“Na verdade, foi o relato de experiência que me chamou muito a atenção. Lembro-me que a expositora me contou que em uma das suas práticas de estágio havia um bebê com atraso no desenvolvimento; e após estímulos realizados por ela, ao final do estágio, a criança já estava andando. Foi aí que percebi a importância da Terapia Ocupacional na transformação de vidas. Saí do evento decidida a exercer a profissão”, lembra.

O trabalho no Oncológico Infantil

Graduada há oito anos, Larissa integra a equipe Multiprofissional do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, unidade administrada pela Pró-Saúde, referência no tratamento oncológico infantil na Região Norte do Brasil, atendendo crianças e jovens dos Estados do Pará e Amapá. Cerca de 1.000 crianças são atendidas mensalmente pelo hospital.

Os trabalhos da área de Terapia Ocupacional no Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo estão relacionados às práticas de atividades manuais, cognitivas, lúdicas e reabilitação funcional. Envolve também a confecções de adaptações de objetos e utensílios que auxiliam nas atividades da vida diária. Algumas atividades utilizam recursos de tecnologia assistiva para pacientes que apresentam alguma deficiência ou mobilidade reduzida; visando à sua autonomia, independência e qualidade de vida.

“É muito significativo poder atuar em hospital destinado ao público infantil, o qual é referência na região. Esse reconhecimento está atrelado à performance dos profissionais que são orientados por uma gestão inteligente e diferenciada. Posso dizer que isso contribui para a minha melhor atuação com os pequenos no Hospital Oncológico Infantil. O aprendizado com eles ainda é maior e mais emocionante. É incrível a força que eles têm ao lutar pela vida. A resiliência deles é muito inspiradora”, revela.

Reconhecimento e desafios da profissão

Larissa comenta que a profissão enfrenta desafios, por ser relativamente nova, mas ainda requer o reconhecimento por parte da sociedade, apesar dessa realidade já ter mudado bastante. “Ainda há quem nunca tenha ouvido falar sobre a profissão, ainda há lugares que necessitam de ter a presença do profissional como, por exemplo, a grande maioria de hospitais da rede privada”, comenta.

“Um outro desafio é distinguir esta profissão de outras, principalmente da Fisioterapia. Eu costumo explicar, resumidamente, a diferença das duas profissões. O Fisioterapeuta recupera o movimento e o Terapeuta Ocupacional a função, sendo o nosso diferencial o uso de atividades cotidianas e a ocupação humana como forma de reabilitação e tratamento”, complementa Larissa.

Há quem pense que a Terapia Ocupacional seja antônimo de ócio, sendo ocupação do tempo. Engana-se, a Terapia Ocupacional visa favorecer o engajamento do indivíduo nas atividades cotidianas, foca na autonomia e independência, bem como usa o fazer humano como forma de tratamento.
O jogo de dominó, por exemplo, é utilizado pela Terapia Ocupacional como um recurso terapêutico, que estimula os aspectos cognitivos (atenção, concentração, raciocínio, memória e percepção visual) e também as habilidades motoras manuais. “Essa atividade, na nossa área, não é atividade utilizada para preenchimento de tempo, muitas vezes o jogo instiga o paciente a contar, se concentrar e fazer discriminação tátil”, observa.

Dia Mundial do Terapeuta Ocupacional

O primeiro mês do ano é dedicado a este profissional, no dia 19 de janeiro se comemora o Dia Mundial do Terapeuta Ocupacional. O Terapeuta Ocupacional é um profissional que atende demandas relacionadas à avaliação e desenvolvimento, o que garante qualidade de vida ao paciente pelo aumento de suas capacidades psico-ocupacionais.

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