Hospital Estadual de Urgência e Emergência é destaque em projeto que reduz superlotação

O Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória, ficou entre os cinco melhores hospitais do 2º ciclo do “Projeto Lean nas Emergências”, do Ministério da Saúde. A atividade é desenvolvida por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi/SUS), e executado em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

O projeto foi iniciado na unidade em outubro de 2018. Nos primeiros seis meses, uma equipe especializada do Sírio-Libanês, composta de médicos e especialistas em Lean, auxiliaram na implementação de melhorias para garantir a agilidade e eficiência em seus processos, com visitas quinzenais no hospital. Nos próximos meses, o hospital será monitorado à distância.

A novidade foi anunciada na última terça-feira (28) pela gerente do Projeto Lean do Sírio-Libanês, Ana Carolina Albuquerque Brasil, durante a apresentação dos resultados alcançados pelo HEUE. Participaram da apresentação, diretores, colaboradores, prestadores de serviços, representantes do Conselho Gestor Local (atuantes no HEUE) e membros da Gerência de Controle, Monitoramento e Avaliação de Serviços de Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa).

Como destaque, a gerente enfatizou o engajamento e a evolução rápida dos processos de trabalho. “É a primeira vez que visito o hospital, mas acompanhei o desenvolvimento dos trabalhos implementados na unidade. A evolução foi rápida, porque cada profissional entendeu que é possível transformar”, disse.

Redução na sobrecarga

O objetivo do “Projeto Lean nas Emergências” é reduzir a superlotação nas urgências e emergências de hospitais públicos e filantrópicos e, em contrapartida, aperfeiçoar o atendimento prestado. A meta é reestruturar 100 serviços de urgência do país até 2020. Neste ciclo, 20 hospitais participam.

Em tradução livre, lean quer dizer “enxuto”. Baseada em uma filosofia de melhoria de processos com foco em tempo e valor, a metodologia aplicada tem como objetivo melhorar a gestão otimizando recursos, espaços e insumos.

Uma das formas de otimizar o atendimento é utilizar indicadores para medir os resultados, como o que avalia a sobrecarga de atendimentos, que mensura quesitos como tempo de passagem de pacientes pelas urgências, permanência no hospital e tempo de alta, por exemplo.

O diretor de Apoio do HEUE, Gerson Macagnan, apontou a melhora da unidade no período de trabalho. “O Nedocs, sigla em inglês para Escala de Superlotação do Departamento Nacional de Emergência, é o principal indicador de monitoramento de superlotação no Pronto-Socorro. De novembro do ano passado até março deste ano, observamos uma melhora desse indicador em 43%. Esse número reflete no aprimoramento da assistência, menor tempo de permanência e mais agilidade na decisão de condutas”, explicou

Segundo Macagnan, neste período foi perceptível o envolvimento das equipes nos processos de trabalho, com a utilização da ferramenta Huddle, implantado no Pronto-Socorro, nas Unidades de Internação (enfermarias) e Centro Cirúrgico.

“O Huddle se tornou uma ferramenta importantíssima de gestão, pois ele auxilia a parte operacional dos processos e oportuniza para as equipes a verificação e solução imediata das pendências que possam impactar na rotina de trabalho. Além disso, é possível gerenciar a sobrecarga de pacientes no Pronto-Socorro, por meio do Plano de Capacidade Plena (PCP), cujo objetivo é acompanhar e mobilizar todas as equipes do hospital na tomada de decisão em casos em que a demanda é maior que a capacidade instalada do hospital”, explicou.