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Vivências no Hospital Metropolitano subsidiam pesquisas de residentes multiprofissionais

01/02/2018

Vivências no Hospital Metropolitano subsidiam pesquisas de residentes multiprofissionais

A data da defesa de uma monografia de pós-graduação é a culminância de anos de aprendizado. Para os participantes do Programa de Residência Multiprofissional em Urgência e Emergência no Trauma do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua (PA), a terça, 30/1, e quarta-feira, 31/1, foram dias especiais.

Durante os dois dias, a turma de seis residentes participou da V Jornada de Defesa do Programa de Residência Multiprofissional do HMUE. Foram defendidas monografias nas áreas de Fisioterapia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Psicologia e Enfermagem. Entre os trabalhos, pesquisas inspiradas no dia-a-dia vivenciado pelos profissionais durante a residência.

Um destes trabalhos é a monografia da psicóloga Jéssica Leonardo, que estudou a arteterapia como estratégia para reabilitação de crianças vítimas de queimaduras no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), unidade do Hospital Metropolitano referência no tratamento a queimados para a região Norte.

A psicóloga explicou que a arteterapia sempre fez parte de sua formação enquanto residente e que viu em sua atuação no HMUE uma oportunidade de aprofundar este estudo. “A Psicologia Pediátrica sempre me interessou muito, quis ‘casar’ as duas áreas de conhecimento e dar uma devolutiva ao hospital que foi muito importante para a minha formação”, contou.

Com isso, Jéssica desenvolveu sua pesquisa por meio de uma revisão bibliográfica, na qual utilizou referências já existentes sobre o tema escolhido para construir um novo olhar com base na experiência que teve na unidade gerenciada pela Pró-Saúde sob contrato com gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

A escolha do CTQ e de seus pacientes, ela contou, foi proposital. “O CTQ foi uma paixão à primeira vista. É uma unidade muito rica em relação a possibilidades de trabalho. Ali vi uma grande oportunidade de desenvolver a pesquisa. A equipe é maravilhosa, muito receptiva. A gente consegue trabalhar em conjunto”, descreveu.

Quem também utilizou sua experiência no centro que atende a vítimas de queimaduras foi o residente de Terapia Ocupacional, Lucas Muniz. Integrante da Residência Multiprofissional do HMUE desde 2016, o terapeuta percebeu que os pacientes vindos do interior do Pará para tratamento na unidade possuíam pouca informação sobre a prevenção de queimaduras.

Lucas viu ali uma demanda e possível campo para sua pesquisa. “Se o paciente estivesse orientado, tivesse informação em seu município, talvez não estivesse aqui no hospital com esta queimadura”, projetou. A partir daí, o residente montou a pesquisa para culminar em uma cartilha de orientação sobre queimaduras.

Para chegar ao produto, o residente passou por duas fases. Na primeira, foi aplicado um questionário para colher informações tais como os tipos de queimaduras, causas e origem dos pacientes. Com estes dados, a cartilha foi produzida e entregue aos pacientes e seus familiares. “Depois de entregarmos, fizemos uma explanação e tiramos dúvidas”, explicou.

Passada esta etapa, o terapeuta aplicou novo questionário para checar a efetividade da cartilha. “Além disso, temos uma escala de zero a dez, onde zero ele não entendeu nada e dez ele entendeu tudo, e a média que encontramos foi de 9,3. Ou seja, houve uma efetividade muito grande na aplicação da cartilha”, comemorou Lucas.

Tanto o terapeuta ocupacional, quanto a psicóloga Jéssica Leonardo destacam que a experiência no programa de Residência no Hospital Metropolitano foi transformadora. Lucas citou o CTQ e a Clínica Pediátrica como os setores com os quais teve maior identificação. Para ele, os dois anos de residência foram “extremamente positivos”. “O Hospital Metropolitano é diferente de outros hospitais. Aqui a gente vai ver o paciente na maior gravidade possível. Chegam pacientes de trauma, pacientes com queimaduras, vemos diversos casos. A bagagem que a gente absorve aqui é tremenda. Foi muito gratificante ter a oportunidade de passar estes dois anos aqui”, refletiu.

Jéssica Leonardo ressaltou o período que passou no Pronto Atendimento e no CTQ. Segundo a psicóloga, por ser porta de entrada da unidade, o PA, como o setor é conhecido internamente, é um local onde pacientes e familiares passam pelo momento mais difícil. “É ali que vão saber se seu familiar vai ter a vida salva e a psicologia se faz muito presente nesse momento. Identifiquei-me muito oferecendo suporte aos pacientes e seus familiares”, apontou.

Já a experiência no CTQ foi enriquecedora pelo contato com a equipe. “O CTQ tem uma equipe muito motivadora. A relação é transversal, todo mundo está ali pelo bem-estar do paciente. É uma relação horizontal de troca de conhecimento”, ressaltou.

Ao final da jornada de defesa de monografias, o coordenador do Departamento de Ensino e Pesquisa (DEP) do Hospital Metropolitano, Leonardo Ramos, apontou o fato do mercado da área de saúde ter à disposição a partir do dia 1/3, mais seis profissionais especializados em Urgência  e Emergência do Trauma. “São profissionais altamente especializados que passaram dois anos aqui dentro com nossos colaboradores no ensino-serviço e agora estão prontos para o trabalho. Esperamos que o próprio Metropolitano absorva alguns ou mesmo outros hospitais gerenciados pela Pró-Saúde”, afirmou.

Ano de êxitos

A jornada de defesa de monografias do Programa de Residência Multiprofissional do HMUE marca um ano de êxito para o Departamento de Ensino e Pesquisa. Em 2017, o grupo de residentes desenvolveu pesquisas que permitiu à unidade ter mais informações mais informações sobre os resultados dos procedimentos clínicos em pacientes com queimaduras. Os trabalhos permitiram ainda que a unidade traçasse o perfil do público infantil atendido no CTQ.

Os residentes e preceptores de Fisioterapia produziram um trabalho sobre os efeitos, na força muscular respiratória, promovidos pela ventilação não invasiva em queimaduras de tórax. Outra pesquisa caracterizou o perfil das crianças atendidas no CTQ.

O residente Anderson Moraes falou da importância das produções e reconhece o trabalho desenvolvido no HMUE. “É uma maneira de divulgar o nosso trabalho para outros profissionais, para que eles possam reproduzir o procedimento com seus pacientes ou mesmo aprimorá-los. Mostramos, também, o que as profissões da área da saúde têm a oferecer ao usuário,” disse.

Com tantas produções, muitos trabalhos já foram apresentados em eventos científicos. Agora concluinte da residência, Lucas Muniz, foi um dos que tiveram oportunidade de representar o Hospital Metropolitano. A participação no ‘‘I Congresso de Atenção Multidisciplinar da Saúde’’, promovido pela Universidade do Estado do Pará (Uepa), em abril de 2017, foi a primeira experiência científica dele.

O trabalho do grupo liderado pelo residente analisou a atuação do Terapeuta Ocupacional com pacientes vítimas de traumatismo cranioencefálico. “É o nosso retorno para a sociedade do trabalho importantíssimo realizado dentro do Hospital Metropolitano. O fato de sermos residentes de uma especialização custeada pelo Ministério da Saúde torna este momento importante. É importante dar o retorno sobre o que estamos produzindo e fazendo aqui dentro”, apontou.

O artigo científico “Atuação da Fisioterapia na Urgência e Emergência de um Hospital Referência em Trauma e Queimados de Alta e Média Complexidades”, desenvolvido pelo Departamento de Ensino e Pesquisa do HMUE, conquistou o primeiro lugar geral do ‘‘I Simpósio Multiprofissional em Atenção ao Paciente Crítico’’, realizado nos dias 17 e 18/11, no auditório José Vicente Miranda – ICJ/UFPA.

O trabalho comprovou que o uso da ventilação não invasiva, intermitente, em pacientes com queimadura de tórax, repercute em um aumento da força muscular respiratória desses pacientes, contribuindo para a estabilização e melhora do quadro clínico.

De acordo com o residente de Fisioterapia, Anderson Antunes, para desenvolver o trabalho foram observados seis pacientes – três homens e três mulheres -, durante os anos de 2016 e 2017. Eles fizeram sessões de Fisioterapia, incluindo procedimentos como controle de ventilação mecânica, aspiração traqueal, montagem de ventilação mecânica, transporte intrahospitalar, técnicas de fisioterapia respiratória, entre outros, duas vezes ao dia, pelo período de sete dias, e começaram apresentar evolução na força muscular respiratória.

Em paralelo ao êxito obtido em publicações e eventos científicos, a unidade também passou a integrar a Rede de Bibliotecas e Unidades de Informação Cooperantes da Saúde (Rede BiblioSUS) – Brasil, por meio da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde (BVS-MS).

A iniciativa contribui para a democratização do acesso a informações da área, incentivando a promoção da saúde. O site reúne trabalhos nacionais e internacionais, estando integrado às bases de dados ColecionaSUS, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs) e Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), desenvolvidas e mantidas pelo Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme).

Além de disponibilizar suas publicações na BVS-MS, a partir dessa adesão, o Hospital Metropolitano também passará a receber periodicamente as publicações do Ministério da Saúde em áreas temáticas, dentre elas, Saúde Pública, Adolescência, Aleitamento Materno, Atenção Primária à Saúde, Doenças Infecciosas e Parasitárias, Economia da Saúde, Enfermagem, História da Saúde, Indicadores de Saúde, Prevenção e Controle de Câncer e Toxicologia.

 

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