O Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), localizado em Ananindeua (PA) e gerenciado pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, inaugurou, nesta quinta-feira (13), o primeiro Laboratório de Tecnologia Assistiva (Labta) do Brasil. O espaço amplia o atendimento de vítimas de traumatismo e queimaduras que precisam de órteses para imobilização de partes do corpo e recuperação de movimentos pós-alta.
A tecnologia assistiva já existia no HMUE como serviço, mas a conquista de um espaço destinado especialmente para a produção é um ganho significativo. Com a finalidade de atender pacientes de média e alta complexidade, ele foi estruturado de forma a garantir eficiência, principalmente pela substituição da matéria-prima: o termoplástico de baixa temperatura pelo PVC (policloreto de vinila).
Baixo custo – Cada placa do termoplástico ezeform é adquirida por R$ 300. A partir dela é possível produzir 5 órteses sob medida, sendo 4 para membro superior e 1 para inferior. Com o novo laboratório, podem ser confeccionadas até 30 órteses, um aumento de 500%. “É uma experiência de fazer mais com menos. A capacidade do laboratório aumenta para 360 unidades por ano”, explica o coordenador de Reabilitação, Rafael Araújo.
O investimento para a adaptação do ambiente foi de R$ 3 mil. Desde janeiro a produção já estava ocorrendo em caráter experimental, de lá para cá foram confeccionadas 160 órteses.
“Estou muito feliz por essa proposta que é economicamente viável, mas sobretudo por estar alinhada com nossa missão de salvar vidas e possibilitar a reabilitação dos pacientes para que voltem para casa de forma produtiva e independente. Esse trabalho reflete o comprometimento da nossa equipe com a recuperação deles”, afirmou Itamar Monteiro, diretor hospitalar do Metropolitano.
As órteses são importantes para auxiliar em atividades do dia a dia, como se vestir, tomar banho e comer. Elchides Nunes é paciente do HMUE há mais de um ano, desde que sofreu um acidente com botijão de gás e teve 90% do corpo queimado. Ele é um dos beneficiados. “A inauguração desse laboratório é um passo gigante para a melhoria da nossa qualidade de vida. As órteses e todo instrumento que auxilie nos nossos movimentos, ações, atividades diárias, depois que acontece uma tragédia com a gente, vem para mostrar que nós podemos voltar a viver bem”, afirmou.
Legado – O Labta veio de uma experiência já adotada no ambiente acadêmico na Universidade do Estado do Pará (Uepa). O professor Jorge Lopes é uma referência na área e esteve presente na inauguração. “A técnica de baixo custo foi desenvolvida há 20 anos para favorecer a acessibilidade. Será um grande avanço para o Metropolitano e me coloco à disposição para trabalhar em parceria para novas pesquisas. É uma satisfação ver esse trabalho continuar”, falou emocionado.
A inovação iniciada na academia contribui agora com a dinâmica de assistência da unidade. O terapeuta ocupacional Lucas Muniz foi aluno de Jorge e ao atuar no Metropolitano, identificou a necessidade. “A ideia foi trazer a tecnologia assistiva de baixo custo para o nosso hospital, que tem uma demanda alta. Com o Labta desejamos ampliar o serviço de confecção de dispositivos, minimizar lesões por pressão, reduzir deformidades, melhorando ainda mais o atendimento prestado ao usuário”, finalizou.

