Mais de 70% dos colaboradores da Pró-Saúde no Pará são mulheres

Enquanto fazia o curso técnico em Radiologia, Adriele Nascimento já sonhava em conseguir um emprego na área logo que concluísse os estudos. Porém, a realidade do mercado de trabalho e o preconceito mostraram que não seria algo tão simples assim. “Você é mulher, é nova, pode engravidar! Ouvi tudo isso em entrevistas de emprego”, conta Adriele, que resolveu apostar na primeira oportunidade de trabalho que apareceu.

A oportunidade era no Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, em Belém (PA), unidade gerida pela Pró-Saúde, sob contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Trabalhando como auxiliar administrativa da unidade, Adriele conta que se sentiu valorizada como profissional pela primeira vez. “Aqui no hospital o funcionário é reconhecido, e esse novo desafio é uma chance de crescimento, de poder aproveitar novas chances”, diz ela, que decidiu abraçar uma nova profissão, e a partir da próxima semana começa a cursar a Faculdade de Administração.

Assim como Adriele, a agente de portaria do Hospital Público Estadual Galileu (HPEG), Sandra Baia, de 37 anos, recebeu sua primeira grande oportunidade de trabalho em um hospital gerido pela Pró-Saúde. Ela trabalha há aproximadamente quatro anos na unidade, onde finalmente conseguiu exercer a função de agente de portaria. Profissão conquistada com muito esforço.

“Eu não tinha tido muitas oportunidades na vida, então quando surgiu uma vaga para trabalhar como segurança em festas, e eu comecei a trabalhar com aquilo, a primeira coisa que fiz foi procurar me especializar. Fiz um curso de vigilante, e depois de agente de portaria, função que eu já vim exercer aqui no Galileu”, revela.

Sandra é apaixonada pelo que faz e comenta que nunca sentiu preconceito por exercer uma função dominada por homens. “Nunca tive problemas de discriminação no meio de trabalho por atuar em um ambiente masculino. Muito pelo contrário, os meninos sempre me respeitaram”, afirma.

Mercado de Trabalho

Quando se trata de espaço no mercado de trabalho para o gênero feminino, a Pró-Saúde está bem à frente da média do País. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2015, apenas 44% das pessoas assalariadas eram do sexo feminino. Enquanto isso, mais de 70% da mão de obra utilizada pela Pró-Saúde, nos sete hospitais públicos que gere no Pará, é feminina. São 4.582 colaboradores, sendo 3.232 mulheres, incluindo as dez mulheres já contratadas para a equipe do Hospital Materno Infantil de Barcarena, que será inaugurado em breve. 

Se contarmos com os três hospitais privados gerenciados pela entidade no Pará, Yutaka Takeda, na Serra dos Carajás; Cinco de Outubro, em Canaã dos Carajás; e Porto Trombetas, a Pró-Saúde soma 5.298 colaboradores no estado, sendo 3.761 mulheres.

Atualmente, a entidade conta, ainda, com um total de 505 médicos nos hospitais públicos do Pará, sendo 201 médicos mulheres, o correspondente a 39,8% do quadro. Os hospitais públicos geridos pela Pró-Saúde no estado são: o Oncológico Infantil Octávio Lobo, Público Estadual Galileu (HPEG), e Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), na Região Metropolitana de Belém; Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém; Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira; Regional do Sudeste do Pará – Dr. Geraldo Veloso (HRSP), em Marabá.

Paulo Czrnhak, diretor Operacional da Pró-Saúde no Pará, explicou que “o empoderamento da mulher é uma das nossas premissas enquanto instituição. Incentivamos a igualdade entre homens e mulheres, de forma que todos possam ter o mesmo espaço e os mesmos direitos”. Para ele, “hoje, vemos que na área hospitalar as mulheres ocupam cada vez mais cargos de liderança e realizam um papel diferenciado”.

O diretor disse ainda que “uma marca dos hospitais que gerenciamos é a humanização e isso está no estilo das mulheres atuarem, sabendo ouvir o outro, tendo a atenção devida e ofertando o cuidado necessário. Segundo Czrnhak, “a entidade reconhece a importância das mulheres no processo de saúde com excelência, e hoje, elas se destacam tanto na área assistencial e, cada vez mais, ganham espaço na função administrativa”.                                                                                      

Dia Internacional da Mulher

Com tantas mulheres no quadro de colaboradores, o Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de março, é uma das datas que conta com uma extensa programação espalhada por todas as unidades administradas pela Pró-Saúde.

Em Belém, os hospitais Galileu, Metropolitano e Oncológico Infantil terão programação desde o dia 7, com rodas de conversa sobre empoderamento feminino, direito da mulher, atrações musicais, apresentações de dança, entre outros.

Já em Santarém, o Hospital Regional do Baixo Amazonas realizará, no dia 8 de março, uma programação que durará o dia inteiro, com ações de valorização ao público feminino e cuidados de beleza.

Em Altamira, o Hospital Regional Público da Transamazônica fará uma homenagem às mulheres, com apresentação do 51º Batalhão de Infantaria e Selva (BIS). Enquanto em Marabá, no Hospital Regional do Sudeste do Pará – Dr. Geraldo Veloso acontecerão palestras sobre saúde da mulher, aula de zumba e ações de beleza.

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