IEC realiza mais uma cirurgia intrauterina em paciente gestante

O Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer (IEC), no Rio de Janeiro (RJ), realizou, nesta quarta-feira, 25/04, a quinta cirurgia intrauterina de espinha bífida fetal para tratamento de um problema chamado mielomeningocele. O procedimento foi efetuado pelo neurocirurgião Gabriel Mufarrej e o obstetra e diretor da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Jair Braga. A equipe que realizou a cirurgia, com duração de mais de seis horas, foi formada por 15 profissionais, entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem.

Alessandra Carvalho dos Santos, 34 anos, sempre teve o sonho de ser mãe. Tentou engravidar por bastante tempo. Mas a primeira gestação não se completou.  Agora, grávida de 26 semanas do Natan, ela se mostra bem otimista em relação ao sucesso do procedimento. “Me dá força saber que tem uma vida dentro de mim. Sei que estou fazendo o que é melhor para meu filho. Aqui no IEC toda a equipe me deu um carinho enorme. Por isso estou tão tranquila e confiante”, disse Alessandra, pouco antes de entrar no Centro Cirúrgico.

O neurocirurgião Gabriel Mufarrej utilizou a técnica chamada “mini esterotomia”, que consiste numa pequena abertura no útero e cirurgia feita por microscópio. Ele explicou que antes retiravam o feto do útero para realizar o reparo na espinha, o que resultava num alto número de mortalidade. “Deste modo, com o feto operado dentro do útero, interferimos o mínimo possível no seu ambiente, o que acarreta um maior número de cirurgias bem sucedidas”, afirmou o médico.

A mielomeningocele é um defeito no fechamento da medula espinhal. Ela acontece em um em cada mil fetos, o que é considerada uma alta incidência. O procedimento feito ainda durante a gestação, segundo o neurocirurgião, melhora o prognóstico motor do bebê, já que a coluna espinhal ainda está em formação.

Gabriel Mufarrej explicou, ainda, que a não realização deste procedimento durante o período gestacional acarreta um maior risco de hidrocefalia e de ocorrência da Síndrome de Arnold-Chiari do tipo 2, que causa problemas respiratórios e paralisia dos membros inferiores. As primeiras cirurgias intrauterinas realizadas no Instituto Estadual do Cérebro aconteceram em dezembro de 2017.

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