Hospital Metropolitano orienta contra violência doméstica na semana do Dia da Mulher

“Vivi um inferno durante a minha gravidez”. Esta é uma das recordações ruins que a estudante do curso técnico de Enfermagem, J. C., tem do período entre os anos de 1995 e 1996. Naqueles meses, J. tinha 16 anos e esperava pela filha. Grávida do namorado com quem se relacionava há pouco tempo, a estudante enfrentou a família e saiu de casa.

Morando com o então companheiro, J. passou a sofrer diversas violências. Ela é uma das mulheres que fazem parte das estatísticas sobre violência doméstica no Brasil. Números como o da pesquisa DataSenado, divulgada em 2017, mostram o crescimento da violência contra a mulher no âmbito doméstico. O salto foi de 18% em 2015 para 29% no ano passado.

Para orientar e acolher mulheres como J., o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua (PA), centrou sua programação do Dia Internacional da Mulher, no último dia 8/3, em dois eixos. O acolhimento e orientação aconteceu em uma roda de conversa comandada pela psicóloga Jéssica Leonardo.

A colaboradora e um grupo de acompanhantes conversaram longamente sobre os diversos tipos de violência aos quais a mulher pode ser submetida. O porquê do Dia Internacional da Mulher também foi lembrado por Jéssica. No decorrer da conversa, já entrosadas, as mulheres contaram suas experiências. A estudante do curso de técnico de Enfermagem aproveitou o momento para relatar às outras o que passou.

Além dessa primeira experiência de violência, J. foi submetida a uma segunda situação de violência anos depois, quando passou a se relacionar com outro homem, que conheceu no trabalho. “Ele era ciumento e quando bebia ficava violento. Não chegava a me bater, mas aquele comportamento me fez terminar o relacionamento”, relembrou.

Em uma noite após a separação do casal, o ex-companheiro pediu para dormir na casa que eles dividiam. Bêbado, estuprou a estudante, que registrou queixa em uma delegacia de polícia. “Ele me pegou, me usou à força, mesmo estando menstruada. Me senti a mulher mais imunda do mundo”, contou com lágrimas nos olhos.

Hoje, com 41 anos, com o amparo dos amigos e da família, J. reconstruiu a vida e o trauma de se relacionar com homens vai, aos poucos, sendo vencido. Atualmente namora um rapaz mais novo, com quem vive uma relação estável. “Pensei muito ao decidir deixar uma pessoa nova entrar na minha vida. Hoje é para mim uma pessoa que me ajuda e dá muita força’, refletiu.

O equilíbrio alcançado com a nova etapa dá forças para que J. incentive outras mulheres a falar sobre violência doméstica. Ciente de que o assunto ainda é tabu e desperta o medo de muitas, ela reforça a necessidade de se fazer ouvir. “Falei na roda de conversa porque muitas mulheres não têm coragem de falar. Sei o que é violência, como o psicológico da gente fica abalado. Você pensa como vai sair na rua depois que um homem diz que vai te matar. É um medo, mas tem que falar”, incentivou.

Após conduzir a roda, a psicóloga Jéssica Leonardo refletiu sobre o encontro com as acompanhantes. “Esse encontro proporcionado pelo hospital fez com que as mulheres ficassem mais próximas e à vontade para relatar situações que elas mesmas vivenciaram ou que aconteceram com amigas e vizinhas. Compartilhar isso em grupo é difícil”, disse, ressaltando ainda o papel do HMUE em ajudar e acolher as mulheres, não apenas no processo de hospitalização, como também na disseminação de conhecimento.

Autoestima e beleza

A programação alusiva ao Dia da Mulher no Hospital Metropolitano também contou com momento de relaxamento, no qual massoterapeutas ofereceram massagens para as acompanhantes. Nesta sexta-feira, 9/3, consultoras de uma marca de cosméticos  promoveram uma atividade de embelezamento para as colaboradoras da Pró-Saúde no HMUE.

A consultora de beleza, Carla Velloso, ressaltou que a ação trabalhou a valorização da autoestima e da beleza, mesmo no ambiente de trabalho. “Mostramos o que pode ser valorizado no rosto através do cuidado do dia-a-dia. A autoestima tem um poder muito grande”, apontou Carla.

Ela defende ainda que o bem-estar interior é fundamental para que a beleza exterior seja notada. “Não adianta maquiar o exterior se por dentro a luz não brilha”, acrescentou. A coordenadora de Enfermagem, Marseille Mathos, aprovou a tarde de autocuidado. “Foi um momento em que nos encontramos como mulheres, um momento de nos olhar no espelho. Esse reforço da autoestima é muito bom”, disse.

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