Hospital Estadual de Urgência e Emergência promove treinamento de más notícias

Ser portador de más notícias não é uma tarefa fácil, mesmo para os profissionais da área da saúde. Com intuito de orientar a equipe multiprofissional, a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), do Hospital Estadual São Lucas, em Vitória, promoveu um treinamento sobre “más notícias”. A capacitação aconteceu entre os dias 11 e 13 de setembro, no auditório da instituição.

Durante o treinamento, a psicóloga clínica do hospital, Caroline Pimentel, explicou que é importantíssimo estar confortável diante de uma situação difícil. “Quando falamos em más notícias, costumamos associar com o óbito, mas casos como amputação de membro e até mesmo um medicamento que não tem causado efeito durante o tratamento do paciente, pode ser considerada como uma notícia ruim”, explicou.

Caroline acrescentou que nessas horas, não existe uma fórmula correta de transmitir algo ruim, no entanto, é indispensável manter uma postura adequada durante a conversa. “É impossível a gente não ficar sensibilizado com o sofrimento alheio. Não existe uma receita ideal para lidar com esses casos. É na prática que aprendemos”, disse a psicóloga.

Durante o treinamento os profissionais contaram as experiências que tiveram e um dos grandes desafios durante a assistência, de acordo com a enfermeira Jéssica Santana Sodré, é noticiar para a família o óbito de uma pessoa jovem. “A gente já começa a imaginar uma vida inteira que essa pessoa teria pela frente, mesmo sabendo que a morte faz parte da vida”, disse.

Para a enfermeira Márcia Silva Eller o treinamento foi uma oportunidade de trocar experiências entre os colegas sobre o assunto. “Existe um exercício de se colocar no lugar do outro. O treinamento permitiu compartilhar sobre os maiores obstáculos que encontramos no dia a dia e, em contrapartida, nos proporcionou mais segurança durante a abordagem. Mesmo que seja difícil esse trabalho, não há sentimento de frustração, ao contrário, há sensação de dever cumprido, mesmo diante de uma perda”, concluiu.

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