Disseminar força empreendedora entre mulheres é Ação do Bem do Oncológico Infantil

Mostrar que é possível empoderar e dar independência a mulheres por meio do empreendedorismo. Esta foi a missão cumprida pelas quatro palestrantes do “I Workshop Empreender – Fortalecendo o Protagonismo das Mulheres”, realizado pelo Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo nesta quarta-feira, 21/6, em Belém (PA), no hotel Princesa Louçã, no bairro da Campina. A iniciativa faz parte das '50 Ações do Bem'.

O projeto “50 Ações do Bem” é uma iniciativa da Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, gestora do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo sob contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Ao longo de 2017, a entidade realizará nas unidades que gerencia, por todo o país, atividades diversas voltadas à promoção da saúde e de ações relevantes aos colaboradores, pacientes, seus familiares e a comunidade em que estão inseridas.

No Pará, a primeira ‘Ação do Bem’ foi o workshop, que é uma iniciativa direcionada a mães e acompanhantes de pacientes do hospital, referência no tratamento contra o câncer entre crianças e jovens de zero a 19 anos no Pará. Reunindo cerca de 120 participantes, o workshop contou com palestras de Adriana Carvalho (ONU Mulheres), Marcela Quiroga (Rede Empreendedora Mulher), Erica Zanotti (Consulado da Mulher) e Camila Fusco (Facebook).

Na abertura do evento, a diretora-geral do Oncológico Infantil, Alba Muniz, destacou a iniciativa de promover a programação simultaneamente ao I OncoJúnior – Fórum de Oncologia para Pacientes – um evento pensado para que crianças e adolescentes pudessem tomar contato, de forma lúdica, com informações cruciais para seus tratamentos. “Pensamos neste workshop, paralelo ao evento das crianças e adolescentes, porque sabemos que vocês, mães, não desgrudam deles. Sem eles, vocês não viriam, porque vocês estão sempre perto. Nós desejamos que vocês sejam cada vez mais protagonistas de suas vidas”.

A gerente dos Princípios de Empoderamento das Mulheres na ONU Mulheres, Adriana Carvalho, falou das conquistas recentes das mulheres no Brasil, de como os direitos sociais femininos avançaram nos últimos 100 anos e a importância do entendimento sobre os direitos humanos e, principalmente, sobre os direitos da mulher.

“Os direitos humanos são traduzidos por uma série de direitos, que são indivisíveis, interdependentes, que sem um a gente não assegura o outro. As mulheres são seres humanos e têm seus direitos assegurados. Infelizmente, ainda temos alguns países em que mulheres não podem até receber herança ou ter propriedades de terra. O Brasil está um pouco mais avançado, ao menos em termos de legislação”, avaliou Adriana Carvalho. 

Janelas para mudanças

Para quem quer entrar para o mundo do empreendedorismo, mas tem receio, por conta de questões burocráticas como o recolhimento da contribuição para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Adriana apontou caminhos como a formalização do negócio. “A dona de casa que quer empreender pode recolher INSS. Posso ser um microempreendedor individual e estar em dia com o Seguro Social para garantir a aposentadoria. Por isso é importante formalizar o seu negócio”, orientou.

Adriana avaliou positivamente a conversa com as mães de pacientes do Oncológico em Belém. “Foi um público desafiador, porque sempre penso em como trazer o assunto da igualdade de gênero e do empoderamento de maneira que faça sentido para as mulheres. Fiquei muito motivada vendo as carinhas prestando atenção”, comemorou.

Na palestra de Marcela Quiroga, da Rede Mulher Empreendedora, o fortalecimento do protagonismo feminino, com a ajuda do empreendedorismo, foi o mote principal usado como incentivo junto às participantes do workshop. Profissional com mais de 30 anos na área de vendas, Marcela disse que um dos maiores erros femininos na hora de empreender é achar que está sozinha. “Eu estou aqui hoje porque tenho um parceiro ao meu lado, que ficou com a minha filha, para levá-la à escola e compartilhar os papéis de pai e mãe comigo. É muito importante estar juntos, porque é inclusivo. O empreendedorismo não é uma atividade em que você permanece sozinha. Tem que estar acompanhada o tempo todo, seja do seu parceiro ou de outras parcerias”, refletiu.

O exercício prático para colocar esse protagonismo no papel também teve espaço no workshop. Na companhia da gerente de desenvolvimento de programas sociais do Instituto Consulado da Mulher, Érica Zanotti, as participantes puderam anotar ideias que servirão para a elaboração de modelos de negócios. Cada uma recebeu uma folha de papel, na qual descrevia o tipo de produto que desejava oferecer. As participantes também receberam dicas de como sistematizar itens como fontes de receita e canais de relacionamento com possíveis clientes.

Como a maioria das ideias apresentadas tinham foco no setor alimentício, a diretora-geral do Oncológico Infantil, Alba Muniz, lançou uma ideia para que as criações das mães dos pacientes possam ser concretizadas tendo como público potencial os funcionários e a clientela do próprio hospital, em um projeto a ser definido em breve.

Independência em rede

Com 117 milhões de usuários brasileiros ao mês, o Facebook é campo fértil para as empreendedoras que desejam levar seus produtos a públicos diversos. Basta apenas atenção maior aos recursos lá oferecidos e também aos comportamentos de quem passa todos os dias pela rede de relacionamentos. Essa foi a dica levada às participantes do workshop pela diretora de empreendedorismo do Facebook para a América Latina, Camila Fusco.

Entre dúvidas básicas como a diferença entre a manutenção de um perfil pessoal e páginas na rede social, Camila demonstrou que, para as mulheres, o Facebook pode ser uma grande oportunidade de negócios. No entanto, o sucesso na rede não vem por acaso. E, para chegar ao público certo, o passo a passo deve priorizar o relacionamento para chegar ao êxito.  “As pessoas estão em primeiro lugar. Você tem que estimular o cliente a falar do seu produto. Procure usar textos curtos e ser autêntico. É sempre bom usar palavras-chave como economize, ganhe, reserve e experimente”, orientou.

O apelo visual no Facebook é importante. Por isso, Camila orientou as futuras empreendedoras a usar sempre imagens reais do produto. “Seja verdadeiro. A imagem precisa complementar o seu texto. As fotos devem ser de boa qualidade e resolução sempre”.

Força e cuidados

O diretor Operacional da Pró-Saúde no Pará, Paulo Czrnhak, destacou no encontro a luta dessas mulheres pela recuperação de seus familiares que, por muitas vezes, faz com que esqueçam de si mesmas. “As mulheres participantes deste evento diariamente fazem história. E, com esta iniciativa, queremos fortalecer cada uma delas, para que esta história seja escrita com amor, que é o segredo do sucesso”, resumiu.

Cerca de 75% das famílias dos pacientes atendidos hoje pelo Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo são oriundas do interior paraense. São mães e acompanhantes familiares que muitas vezes têm que sair de suas rotinas, nessas diversas localidades, para migrar para a capital, em busca de atendimento oncológico especializado e de qualidade.  

“As mulheres são fortes. Principalmente as do interior. Faz parte da sua natureza”, asseverou durante o workshop o presidente do Conselho de Administração da Pró-Saúde, cônego Ronaldo Menezes, apontando a importância de um encontro de empoderamento feminino, como o realizado pelo Oncológico Infantil, para que obstáculos sejam superados tanto para a busca por melhores condições de vida como para a saúde dessas famílias.

“A Pró-Saúde é uma organização que cuida da saúde das pessoas. Que cuida de gente. É esse o nosso trabalho diário”, resumiu, durante a abertura do encontro, em Belém, a diretora de Gestão de Pessoas da Pró-Saúde, Elizabeth Leonetti, se referindo aos resultados concretizados pelo trabalho da instituição e vistos em eventos como o Workshop Empreender.

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