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Artigo do HMUE no Jornal O Liberal

NA ESTRADA, SÓ O MOTORISTA SALVA!

Por Rogério Vanderlei Kuntz *

 

Espero que um bom número de pessoas leia este artigo, antes de pegar a estrada, neste carnaval. O Observatório Nacional de Segurança Viária, uma Organização Não Governamental, voltou a incluir o Pará no topo do ranking da violência do trânsito no Brasil.

Os acidentes de trânsito resultam de muitos fatores. O mais grave é o fator humano. Nada é mais determinante para se evitar um acidente do que o senso de segurança, de respeito à vida – a própria e a do semelhante.

Voltamos ao tema, mais uma vez, por que violência de nenhuma natureza combina com carnaval. Poderíamos ficar no diapasão do comportamento humano se a estatística de acidentes não fosse tão chocante: com 64 mil vítimas em 2013, o Brasil enfrenta uma epidemia. No país, o trânsito mata mais que o câncer. Na BR 316, o pico do número de vítimas no HMUE, acontece em julho e no Carnaval. 

É na emergência dos hospitais que a violência do trânsito se reflete. Não por acaso, o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência está localizado num dos trechos de uma rodovia federal que, até pouco tempo, era tido como um dos mais violentos do país. “O Metropolitano salva vidas, sim, mas na estrada só você salva!” – esse foi o slogan de uma campanha, em julho do ano passado, resgatado agora para relembrar, mais uma vez, a gravidade dos acidentes.  

O slogan não é mera frase de efeito. Fechados os levantamentos de 2014, apuramos resultados (embora menores que os de 2013) ainda muito altos. Do total de pacientes atendidos no HMUE, em 2014, 28,9% foram vítimas de acidentes com veículos, principalmente motocicletas. O total de 7.759 vítimas é um número muito grande: quase 22 atendimentos (incluídas as internações) por dia, em média, no ano; 32,4% envolveram-se em colisão e 18,4% foram atropelados.

Os envolvidos em acidentes com motocicletas continuam sendo recordista nessa triste estatística: 44,4% eram pilotos, caronas ou pedestres atropelados por moto.

A melhor forma de reduzir as lamentáveis ocorrências, principalmente nas rodovias, é dirigir com atenção redobrada e obedecer às normas de segurança. A principal é não dirigir se consumir bebida alcoólica.

Se a lógica do hospital é salvar vidas, a do motorista é evitar os sinistros – responsabilidade civil, sim, porém, ação da mais pura humanidade. Os acidentes de trânsito são humanamente inaceitáveis; exigem uma nova postura ao volante de um  automóvel, caminhão, ônibus  ou motocicleta.

Parece banalizado, mas é preciso repetir: não beba, tenha cautela, paciência, seja solidário. Isso está cansando!

 

*Rogério Vanderlei Kuntz é Diretor Geral do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, em Ananindeua (PA).

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