A busca pela redução dos impactos ambientais na Amazônia

Unidades hospitalares na região Amazônica orientam e promovem a preservação do meio ambiente em conjunto com a comunidade local, além de desenvolverem projetos que estimulam a sustentabilidade

Cada vez mais estudos e projetos buscam entender e, ao mesmo tempo, diminuir os impactos ambientais da presença do homem na natureza. O crescimento populacional e a quantidade de lixo produzido afetam, diretamente, o meio ambiente de maneira profunda, destruindo o equilíbrio de ecossistemas.

Na região da floresta Amazônica, 14 hospitais localizados nos estados do Pará, Rondônia, Mato Grosso, Acre e Amapá atuam em conjunto com a comunidade na busca de práticas que preservem e mantenham o meio ambiente. As unidades – a maioria, pública – são gerenciadas pela Pró-Saúde, uma entidade filantrópica com mais de meio século de atuação na gestão em saúde. Para a entidade, presente nas cinco regiões do País e, principalmente, inserida no contexto da maior floresta tropical do mundo, a preocupação recorrente nos hospitais que gerencia é a sustentabilidade.

A instituição também leva atendimento especializado a regiões mais afastadas, como Porto Trombetas, no interior do Pará, Guajará-Mirim, na divisa de Rondônia com a Bolívia, e Cáceres, no Mato Grosso. Na região Norte, também presta assessoria de gestão ao Hospital Santa Juliana, em Rio Branco, no Acre.

Entre as iniciativas das unidades da Pró-Saúde, é possível destacar o desenvolvimento de ações que valorizam os aspectos sociais, ambientais e financeiros. Ao longo dos anos, foram desenvolvidos diversos projetos que visam além da economia, a preservação do meio ambiente e otimização da utilização de recursos.

Todas as unidades da Pró-Saúde aplicam, desde medidas simples para uso racional de recursos, como temporizador em torneiras, reuso de água da chuva e coleta seletiva do lixo, até projetos mais elaborados como oficinas para reaproveitamento de materiais e uso de energia solar.

 

Os projetos que fazem a diferença

Entre os projetos relevantes estão os desenvolvidos pelo Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém, que em 2018 reaproveitou 142,9 toneladas de resíduos, sendo 53,1 toneladas de lixo orgânico.

A unidade possui ainda uma horta cultivada na área externa, que no ano passado proporcionou a colheita de 929 quilos de verduras, legumes e frutas. Na unidade, são desenvolvidos outros projetos para reciclar os resíduos sólidos, como papelão, plástico, vidro e materiais eletrônicos e de reaproveitamento da água utilizada pelo setor de Hemodiálise.

O HRBA foi primeiro hospital público do Brasil a obter o selo internacional de sustentabilidade “Materiality Disclosures”, emitido pela Global Reporting Initiative (GRI), entidade sem fins-lucrativos sediada na Holanda, que estimula e reconhece, em escala mundial, a inclusão de práticas sustentáveis.

Outra iniciativa de destaque pertence ao Hospital Público Estadual Galileu (HPEG), em Belém, que em conjunto com o Ministério Público do Trabalho, tem feito a diferença na vida de muitos jovens e adultos em áreas de vulnerabilidade. O projeto “Escrevendo e Reescrevendo a Nossa História” reaproveita mantas cirúrgicas (de PVC) utilizadas pelo hospital. O material é destinado a cursos profissionalizantes para pessoas que moram em áreas de vulnerabilidade ou que são egressas de unidades socioeducativas e do sistema penitenciário.

As mantas doadas pelo hospital são utilizadas em cursos de costura industrial, artesanato, culinária, entre outros. Para os alunos do curso de costura, as mantas representam o primeiro contato para a produção de aventais, almofadas, jogos americanos (pequenas toalhas de mesa), entre outras peças.

No Hospital de Porto Trombetas, localizado no meio da floresta, no município paraense de Oriximiná, uma das principais preocupações do hospital é com o respeito aos recursos naturais. A sustentabilidade é a prática essencial na preservação da natureza e do meio ambiente, com adoção de práticas sustentáveis, como tratamento do esgoto gerado e descarte correto dos resíduos, a fim de minimizar os impactos ambientais causados por suas atividades.

“Estas inciativas visam respeitar o meio ambiente e o cenário em que os hospitais estão inseridos. Além da economia no consumo de água, luz e recursos naturais, trabalhamos para utilizá-los da melhor forma possível, sem desperdícios e com o descarte correto, causando o menor impacto possível. Há um forte senso comunitário, de preocupação com a comunidade destes locais, por isso desenvolvemos ações importantes, como por exemplo, treinamentos, oficinas e cursos. São iniciativas que ajudam os moradores a gerenciar melhor seus resíduos e até mesmo produzir renda extra”, ressalta Danilo Oliveira da Silva, diretor Corporativo de Operações da Pró-Saúde.

 

Sínodo especial para Amazônia

 A preocupação com o meio ambiente deve envolver toda a sociedade, desde governantes, empresários e líderes, até os cidadãos que habitam cada canto do país. A natureza é um patrimônio que precisa ser preservado, afinal, a continuidade da vida depende de um meio ambiente saudável e em equilíbrio. Um dos biomas mais importantes do mundo é a floresta Amazônica, que cobre boa parte do noroeste do Brasil e se estende por outros países como Colômbia e Peru.

Em atenção à importância da preservação da floresta e de seus povos e recursos naturais, no mês de outubro será realizado o Sínodo especial para Amazônia, com o tema “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. O Sínodo é uma instituição permanente da Igreja Católica e consiste em um encontro religioso na qual bispos, reunidos com o Papa, têm a oportunidade de trocarem informações e compartilhar experiências.

O Sínodo tem como objetivo CONHECER a riqueza do bioma, os saberes e a diversidade dos povos da Amazônia; RECONHECER as lutas e resistências destes povos; CONVIVER com a Amazônia, com o modo de ser de seus povos e com seus recursos e DEFENDER a Amazônia, seu bioma e seus povos. A alinhada com essa preocupação da igreja católica e atenta à questão, a Pró-Saúde apoia o tema e participará ativamente desta discussão.