Hospital Bom Pastor é o único especializado em saúde indígena no estado
O Hospital Bom Pastor (HBP) nasce na década de 60, com o objetivo de atender, principalmente, a população indígena, ribeirinhos e seringueiros. Presentes desde a construção da unidade, os povos indígenas foram marcados pelo atendimento, nomeando a unidade como Casa de Cura.
Atualmente, para as lideranças indígenas, a história da unidade anda lado a lado com a história de suas comunidades.
“Não é só um hospital, é uma Casa de Cura para a gente. Esse hospital tem uma história conosco, com nossos antepassados, com nossas lideranças. Que continue acolhendo nosso povo com muito carinho e respeito”, diz Nimon Oroeu, Coordenador da Organização Oro Wari.
Com atendimento humanizado e infraestrutura adaptada à cultura indígena, o Hospital Bom Pastor realiza o atendimento de baixa e média complexidade à mais de 60 aldeias de Guajará-Mirim (RO) e região.
Infraestrutura adaptada
Em parceria estratégica com as Casas de Apoio à Saúde Indígena (CASAIS), o hospital fornece suporte completo aos pacientes e acompanhantes, contando com:
- Horta medicinal: cultivo de ervas medicinais, utilizadas na prática diária para proporcionar familiaridade e conforto;
- Tradução: enfermeiras indígenas fluentes nos dialetos de tribos locais fazem a tradução, garantindo o atendimento das necessidades dos pacientes;
- Oca externa: espaço onde os pacientes podem passar o dia, levar soro e permanecer num ambiente culturalmente familiar;
- Redário: estrutura de redes nos espaços externos e de internação para pacientes e acompanhantes;
- Alimentação adaptada: inclusão de alimentos tradicionais das aldeias nas refeições;
- Internação diferenciada: permite que pacientes indígenas tenham mais de um acompanhante, acomodações adaptadas para receber seus familiares;
Para Bianca Abiorana, enfermeira do Núcleo de Qualidade e Segurança do Paciente do Hospital Bom Pastor, a adaptação vai além do conforto do paciente.
“A adaptação do ambiente hospitalar no atendimento aos pacientes indígenas faz parte do tratamento humanizado, respeitando e reconhecendo suas culturas. Essas medidas ajudam o paciente a se sentir acolhido, tornando a recuperação mais rápida e eficaz”, explica a profissional.
Aldinéia Balbino Sabino, Secretária da Organização Oro Wari, reforça a importância da estrutura do hospital para o atendimento da comunidade indígena a qual faz parte.
“O que se destaca é o espaço que o hospital oferece à população indígena, onde eles possam caminhar, onde tem árvores, onde tem uma horta, onde tem um chapéu de palha, onde possam sentar com seus filhos”, diz a Secretária.

