Telemedicina deve democratizar atendimento e colaborar com gerenciamento de filas de espera, avalia diretor Médico da Pró-Saúde

A nova resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que define critérios para a prática de telemedicina, ou seja, a consulta a médicos em tempo real e à distância, deve trazer benefícios significativos aos pacientes, além de colaborar com as equipes de saúde no gerenciamento de filas de espera, por exemplo. Essa é a avaliação do diretor Médico Corporativo da Pró-Saúde, Fernando Paragó e, segundo ele, a regulamentação proporciona a democratização do acesso e é “uma evolução positiva e natural” da medicina.

A resolução 2.227/18 foi divulgada no último domingo (3/2) pelo CFM e entrará em vigor três meses após a data de sua publicação. O texto define e detalha os requisitos necessários para a realização de cada um dos procedimentos ligados ao tema, como telemedicina, teleconsulta, teleinterconsulta, telediagnóstico, telecirurgia, teleconferência, teletriagem médica, telemonitoramenteo, teleorientação e teleconsultoria. Até então, a prática era regulamentada pela resolução 1.643/02, que não descrevia detalhadamente como deve funcionar os procedimentos ligados ao tema.

“O conselho pontua muito bem em sua resolução a necessidade de se manter um vínculo com o paciente, com uma consulta feita pessoalmente antes do atendimento à distância. O paciente deve ser acompanhado por um profissional de saúde, mas a telemedicina proporciona a democratização do acesso, especialmente, em um País com muitas dificuldades geográficas, dimensões e distâncias tão grandes, como é o caso do Brasil. Usada dentro dos preceitos éticos, das boas práticas e do bom relacionamento com o paciente, só vejo benefícios. No Pará, onde o paciente pode ter que viajar 12 horas ou mais para chegar ao médico, se pudermos levá-lo à uma interconsulta, de forma periódica, seria um benefício gigante”, avaliou Paragó.

O atendimento à distância também pode colaborar no gerenciamento de pacientes portadores de doenças crônicas. “Essa avaliação à distância pode ser usada no sentido de gerenciar a agenda da atenção primária, por exemplo. Um enfermeiro poderá percorrer comunidades ribeirinhas chamando à avaliação médica de pacientes diabéticos, hipertensos e outras condições e a partir de uma avaliação e contato com o médico à distância, já antecipar uma consulta ou agendar um especialista de forma mais rápida, por exemplo”.

Impacto maior no interior do País

Dois hospitais gerenciados pela Pró-Saúde no Pará já ofereciam o serviço de telemedicina de acordo com os critérios da resolução de 2002. No Hospital Yutaka Takeda, em Parauapebas, e no Hospital 5 de Outubro, em Canaã dos Carajás, é realizada o que atualmente é chamado de teleconsultoria, ou seja, os médicos destas unidades fazem contato com especialistas de outros hospitais.

“Até então, só era possível a interação médico a médico. No Yutaka Takeda, por exemplo, o que temos é o suporte à distância de um especialista. Então, nenhum paciente é diretamente atendido, a interação se dá apenas entre os profissionais. O que o CFM nos traz é a possibilidade de evoluir para uma interação direta do profissional de saúde com o paciente, claro que dependendo da complexidade de cada atendimento e de acordo com as normas pré-estabelecidos. Vejo com muito bons olhos, é uma evolução positiva e natural, ressalvada as boas práticas e respeitado a necessidade do paciente”, destacou Paragó.