Primeiro Fórum do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo revela o olhar no futuro

Com um ano de funcionamento em Belém (PA), o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (HOIOL), realizou o I Fórum de Oncopediatria: “Novos Caminhos da Oncopediatria no Pará”, que aconteceu na última semana, como parte das celebrações de aniversário do hospital.

Na cerimônia de abertura, crianças e adolescentes em tratamento interpretaram canções, emocionando a plateia. A importância do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo foi enfatizada pelo palestrante Renato Melaragno, especialista que há mais de 30 anos atua no combate ao câncer no Brasil. Para ele, que falou no evento sobre tumores no sistema nervoso central, o trabalho desenvolvido dá ao hospital o “potencial para se tornar um gigante no país quando o tema for a cura do câncer infantil. O trabalho que vejo sendo desenvolvido ali, nenhum lugar do Brasil faz o mesmo”.

Os médicos Simone Rogério e Alexandre Maué destacaram que o diferencial na conduta da equipe que trabalha na unidade parte da premissa de que crianças não são adultos pequenos. Eles explicaram ainda sobre a neurocirurgia oncológica e necessidade de reabilitação.

Outra discussão foi a cura dentro de um hospital que deve estar impregnada em todas as ações de quem trabalha ali. E esse dia a dia dentro de um centro especializado permeou a palestra “Os cuidados da enfermagem em oncopediatria” com a enfermeira Ana Lygia Melaragno, do Hospital Santa Marcelina, de São Paulo. Ela frisou que em uma unidade oncopediátrica o olhar inflexível na rotina é fundamental.

Multidisciplinar 

Para o diretor Operacional da Pró-Saúde no Pará, Paulo Czrnhak, a programação trouxe benefícios variados, discutindo caminhos e chamando a atenção para o diagnóstico precoce. “A forma como o tratamento deve ser realizado e, principalmente, como promover ações que fomentem o restabelecimento da saúde de crianças e adolescentes deve ser discutido por todos nós”, enfatizou. Czrnhak considerou que o esforço é para o bem-estar do usuário do Sistema Único de Saúde. “Esperamos, de fato, o avanço no tratamento para que possamos salvar vidas, com ciência e humanização”.

“A realização do fórum alinha o tratamento oncológico em diversas partes do Brasil. Este evento mostra que estamos trabalhando o entrosamento entre os serviços, estimulando o tratamento multidisciplinar, para que todas as áreas da saúde saibam a sua função e que todos precisam trabalhar juntos”, disse o coordenador do Hospital de Câncer de Barretos, Luiz Fernando Lopes.

Na mesa redonda “Reabilitação – Cirurgia plástica e crânio maxilo-facial”, os cirurgiões plásticos Frankilin de Souza, Cynthia Martins e o cirurgião dentista Douglas Magno colocaram em debate os diferentes tipos de procedimento e adaptação que o paciente com câncer incorpora nas atividades diárias, além da conquista da autoestima e da qualidade de vida.

Doutor em medicina física e reabilitação, Esperidião Elias falou da valorização da fisioterapia na cura do paciente oncológico. Ele citou as principais terapias usadas hoje para evitar a perda de massa óssea e muscular nas crianças e adolescentes acamados. A Gameterapia, criação do médico, foi mostrada por ser uma terapêutica na recuperação.

A médica Cecília Costa, diretora do hospital paulista A.C Camargo, aliou sensibilidade e razão para abordar os cuidados paliativos no tratamento oncopediátrico. “Nossa preocupação também, hoje, é com o paciente que não é curado. Os tratamentos tornam esse trajeto da perda menos sofrido”, destacou. A médica reconheceu o trabalho multidisciplinar do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo. “Para que qualquer tratamento seja efetivo é preciso o olhar de todos. O Oncológico Infantil Octávio Lobo tem feito isso e é um exemplo”, reconheceu a especialista.

O futuro

Para a diretora Geral do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, Alba Muniz, esse reconhecimento por parte de especialistas de que a instituição cresce saudável é fruto de uma humanização aprofundada. “É uma humanização que não é festa. Mas trata a doença e cuida de pessoas. Ser grande é ser seguro e humanizado”.

“O que queremos é ser transdisciplinar. Esse conceito que trabalhamos para desenvolver no hospital oncológico infantil. Hoje estamos plantando essa semente”, declarou o diretor técnico José Miguel Alves ao finalizar o fórum, que contou com centenas de profissionais.

“Há uma forte crença de fazer um atendimento diferenciado para as crianças, envolvendo futuramente ensino, pesquisa e assistência”, projetou o secretário de Saúde do Estado, Vitor Mateus.

A unidade hospitalar é exclusiva para tratamento e diagnóstico do câncer infantojuvenil na região Norte, pertence ao Governo do Pará, administrado pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, sob contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública.

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