Pescador recebe rim do pai em transplante realizado pelo Hospital Regional de Santarém

Desde 2013, quando iniciou a hemodiálise no Hospital Municipal de Santarém, o pescador Antônio Corrêa, de 46 anos, enfrentava uma maratona para realizar o tratamento. Ele mora na comunidade Aritapera, distante cerca de 3 horas de barco da cidade de Santarém, e tinha que se deslocar até o hospital três vezes por semana, para realizar as sessões. A partir desta terça-feira, 22/11, a realidade deve ser diferente. Ele passou por um transplante de rim no Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA). O pai, Braz Corrêa, de 67 anos, foi o doador. Este foi segundo procedimento realizado pela unidade.

A irmã, Ângela Corrêa, de 38 anos, acompanhou toda a dificuldade vivida pelo irmão. “Esse transplante é o que ele mais queria, porque durante esse período de três anos e 11 meses em que ele fez hemodiálise, ele perdeu muitos amigos com o mesmo problema. Ele queria ficar livre daquela máquina”, conta.

O procedimento durou cerca de 5 horas. Pai e filho, agora, recuperam-se lado a lado. “Os dois estão bem e felizes. O pai está supercontente, agradecido pelo trabalho que foi desenvolvido. Está tudo saindo dentro do planejamento e imaginamos que os próximos também serão assim”, diz o responsável técnico de transplantes do HRBA, nefrologista Emanuel Esposito.

O cirurgião Fabian Pires, médico da Santa Casa de Porto Alegre (RS), é responsável pela realização dos primeiros transplantes. Ele está treinando a equipe do HRBA para dar continuidade ao programa. “A equipe sedimentou bem a informação passada na primeira cirurgia e evoluímos em relação a ela. Pelo andamento, acredito que vamos desenvolver o programa muito rápido nesse período em que vamos dar a tutoria”, acredita Pires.

A previsão é que mais três transplantes ocorram até o final de janeiro, totalizando cinco. O primeiro procedimento foi realizado no dia 3/11. “O projeto está em pleno vapor. O planejamento para o ano que vem é começar o transplante com doadores falecidos, que vai ser muito importante para região e vai aumentar bastante o número. Vamos começar, também, a atender os pacientes transplantados em outros estados e que moram aqui”, explica o tutor da equipe de transplante do HRBA, nefrologista Valter Garcia.

Por enquanto, os transplantes realizados na unidade são intervivos, na qual a saída das máquinas de hemodiálise passa pelo amor existente entre doador e receptor. “É a demonstração do amor que um pai pode ter pelo filho. Logo que descobrimos que o único jeito seria transplante, conversamos para ver quem doava. Eu e meu pai queríamos doar. Mas, como eu que cuido deles, achamos melhor que meu pai doasse”, revela Ângela.

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