Parceria permite captação de órgãos no Pronto-Socorro Engenho Novo

Em um momento delicado para a família, uma decisão pode significar a vida de outras pessoas.

A doação de órgãos é uma prática que vem crescendo entre os brasileiros. Segundo a Associação de Transplante de Órgãos, em dez anos, o número de doações realizadas no País cresceu 159%. Em 2007, a associação registrou 1.150 doações, quantidade que subiu para 2.981 em 2016.

“Esses dados indicam uma mudança de comportamento importante”, afirmou Willians Alkimin Medeiros, gerente de Enfermagem do Pronto-Socorro Engenho Novo, em Barueri (SP).

A unidade, localizada em uma das regiões mais populosas — e carentes — do município também é exemplo de solidariedade.

“Aqui no Pronto-Socorro, a compaixão e a sensibilidade de três famílias significaram esperança de recomeço para outras pessoas que aguardavam por um transplante”, revelou Willians.

Uma parceria com o Serviço de Órgãos e Tecidos (SPOT), do Hospital das Clínicas, em São Paulo, permite que familiares de pacientes com morte cerebral atendidos na unidade possam autorizar a doação de órgãos.

O convênio existe desde 2013 e foi acionado em três oportunidades diferentes ¾ em novembro do mesmo ano, em janeiro de 2015 e em dezembro de 2016.

“Não sabemos quantas pessoas foram beneficiadas porque são informações sigilosas. Sabemos que, certamente, o gesto dessas três famílias que autorizaram as doações contribuiu para salvar outras vidas”, observou Willians.

Ele explica que o Pronto-Socorro Engenho Novo mantém ativo o protocolo de morte encefálica ¾ algo como uma rotina científica aplicada no paciente para identificar a ausência completa de atividade cerebral, condição que, em tese, permite a doação.

“A equipe médica e de Enfermagem realizam sete exames diferentes, que são repetidos em intervalos de 6h. Imediatamente, comunicamos ao SPOT, que envia seus profissionais até o Pronto-Socorro para reexaminar o paciente e conversar com a família”, contou Willians.

Caso autorizado pelos familiares, o serviço cuida da transferência do paciente para a sequência dos demais procedimentos de doação. “Todo esse processo movimenta uma estrutura grande porque tudo precisa ser feito de maneira muito rápida ¾ o tempo, nesse caso, pode significar a vida de outras pessoas”, acrescentou Willians.

A autorização da família é apenas uma das muitas etapas que envolvem o processo de doação e transplante dos órgãos. “Volto a dizer, o tempo é algo muito importante. Quanto mais rápido a família autorizar, maiores são as chances de o paciente estar em condições de doar os órgãos”, reforçou o gerente de Enfermagem.

“Ter o Pronto-Socorro Engenho Novo como parte dessa rede nacional de doações reforça a postura solidária do município que, mesmo diante de um momento difícil, como é a perda de um ente querido, encontra forças para ajudar outras pessoas a terem uma nova esperança”, destacou Willians.

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