Metropolitano realiza mais de 600 mil atendimentos em 2017

O agente de trânsito Paulo da Silva Rosa completou 40 anos em 2017 em meio a uma tragédia pessoal. Dois dias antes de seu aniversário, no dia 10/12, o servidor público da Prefeitura de Breu Branco (PA), cidade localizada no sudeste do Estado, recebeu uma descarga elétrica que causou queimaduras nele e no filho de três anos.

Paulo e o menino brincavam em uma propriedade da família na zona rural do município, quando o servidor público encostou em um fio de alta tensão de uma rede, que se pensava até então estar desativada. Ao ver o pai ser atingido pela descarga, o garoto se abraçou à perna direita de Paulo e também foi eletrocutado.

Pai e filho receberam os primeiros atendimentos em Tucuruí  e foram transferidos no dia 22/12, para o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua (PA), na região metropolitana de Belém. O centro é referência no tratamento de queimados para a região Norte.

O servidor público e o filho foram dois dos 511 pacientes vítimas de queimaduras atendidos no CTQ em 2017. Além do atendimento especializado a queimados, a unidade acumulou 604.961 atendimentos durante o ano, entre cirurgias (10.589), exames (372. 685), internações (8.439), sessões de Fisioterapia (61.455), sessões de Terapia Ocupacional (8.935), atendimentos de Serviço Social (73.714), atendimentos de Psicologia (19.487), além de atendimentos de urgência e emergência e consultas ambulatoriais (49.657).

O acidente deixou sequelas com as quais Paulo terá que conviver pelo resto da vida. A principal delas é a amputação do antebraço esquerdo. Do acidente, o servidor público tem poucas memórias. “Lembro apenas do momento em que peguei no fio, do meu filho me abraçando e de mim caindo para trás, pegando fogo”, contou com lágrimas nos olhos.

O filho de Paulo recebeu alta do Metropolitano, unidade gerenciada pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar sob contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), no último dia 15/1. O menino, que teve queimaduras na face e no couro cabeludo, visita o pai regularmente e dá para forças para sua recuperação. Da porta da enfermaria, chama Paulo e joga beijos. O apoio da família é fundamental na recuperação do servidor público. Da mãe, a professora Rosária da Silva Rosa vem mais força para lutar: “De agora em diante é cuidar da recuperação. Nós estamos felizes porque ele está vivo”.

Rogério Kuntz, diretor-geral da unidade conta que 2017 foi um ano extremamente importante para o Hospital Metropolitano, no qual a unidade consolidou seu perfil assistencial e a sua vocação em salvar vidas, como a  principal referência no tratamento do trauma e de queimados no Estado do Pará. 'Cumprimos os objetivos propostos dentro do previsto no contrato de gestão, firmando e reforçando cada vez mais a parceria com o Governo do Estado, por meio da Sespa, em prol de uma melhor assistência aos nossos pacientes. Para 2018, estamos investindo na melhoria contínua dos nossos processos e assim, ampliar a segurança e qualidade da assistência aos nossos pacientes', revelou o diretor.

Ação do Bem

Além do grande volume de atendimentos em 2017, o Hospital Metropolitano participou do projeto “50 Ações do Bem”, lançado pela Pró-Saúde para comemorar os 50 anos de atuação da entidade beneficente. A primeira ação do HMUE foi o lançamento do “Amiguinho do Metropolitano”, um boneco terapêutico lançado no Dia do Amigo, em 20/7.

O projeto que criou o “Amiguinho” foi concebido por colaboradores do setor de Processamento de Roupas com a orientação da Diretoria de Apoio. A iniciativa levou em consideração dois princípios praticados no HMUE: humanização e sustentabilidade. O brinquedo é feito com materiais que seriam descartados.

No corpo, o “Amiguinho” traz enchimento feito com pequenos pedaços de colchão piramidal, um material originalmente utilizado para prevenir lesões por pressão nos pacientes. As feições infantis no boneco foram desenhadas pelas costureiras da unidade, que vem acompanhado de uma gravatinha representada por um boto.

Cada peça é entregue aos pacientes dentro de uma mochilinha feita com manta SMS. O material em polipropileno envolve as caixas de instrumentos cirúrgicos do hospital. Após a abertura das caixas, o tecido era descartado.

A segunda Ação do Bem foi voltada para a orientação de pessoas com deficiência (PCD) visando sua entrada no mercado de trabalho. Colaboradores do setor de Gestão de Pessoas foram até a Associação Paraense de Pessoas com Deficiência (APPD), em Belém (PA), para levar instruções sobre a preparação para entrevista de emprego, elaboração eficaz do currículo e a importância da qualificação.

Em outubro, os gestores da unidade participaram de workshop que esclareceu sobre a atuação de PCDs no ambiente hospitalar. O acesso de PCDs ao mercado de trabalho é assegurado pela Lei Federal 8.123/91, conhecida popularmente como Lei de Cotas.

Durante o Círio de Nazaré, a unidade desenvolveu duas Ações do Bem. A primeira foi o apoio à campanha de sensibilização contra o trabalho infantil do Tribunal Tribunal Regional do Trabalho da 8º Região (TRT8) e o atendimento a romeiros do Círio de Nazaré. A unidade montou um posto de atendimento na rodovia BR-316. Foram disponibilizados curativos, massagens, além de lanches e água. Durante o Círio Fluvial nas águas da Baía do Guajará, a equipe realizou atendimentos ocasionados por mal-estar.

Na grande romaria do domingo, os colaboradores, residentes profissionais e estagiários da área de Saúde fizeram atendimentos em um posto montado na Caixa Econômica Federal na avenida Presidente Vargas, no centro de Belém. Foram atendidos casos de desmaio, hipertensão, hipoglicemia, dores musculares e pequenos ferimentos.

Em dezembro, o HMUE realizou a última Ação do Bem com uma edição especial do projeto 'Laços' focada em desospitalização. Uma parceria com o programa 'Melhor em Casa', do Governo Federal, levou esclarecimento às famílias de pacientes de longa permanência na unidade, cujo perfil coincide com o atendido pelo programa.

Cozinha certificada

A cozinha do HMUE foi reconhecida com o selo Green Kitchen. A certificação verifica o padrão de qualidade em termos de aspectos sociais e ambientais dos serviços de alimentação promovido pela Fundação para a Pesquisa em Arquitetura e Ambiente (Fupam).

Os diferenciais são o cardápio diferenciado servido diariamente a pacientes, acompanhantes e colaboradores, o foco em alimentação saudável, sustentabilidade e boas práticas na produção das refeições.

A produção de refeições do HMUE é gerenciada pelo Serviço de Nutrição Dietética (SND), que possui cerca de 60 colaboradores, incluindo área operacional e nutricional. A equipe é integrada por copeiros, cozinheiros, auxiliares de cozinha, além de nutricionistas assistenciais e de produção. Diariamente, a equipe é responsável por servir cerca de 2,5 mil refeições no hospital. O volume mensal de refeições passa de 70 mil unidades.

Ensino e pesquisa de excelência

As pesquisas científicas desenvolvidas pelos integrantes do programa de Residência Multiprofissional do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE) têm permitido que a unidade tenha mais informações sobre os resultados dos procedimentos clínicos em pacientes com queimaduras. Os trabalhos permitem ainda que a unidade trace o perfil do público infantil atendido no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ).

Várias já foram realizadas. Os residentes e preceptores de Fisioterapia produziram um trabalho sobre os efeitos, na força muscular respiratória, promovidos pela ventilação não invasiva em queimaduras de tórax. Outra pesquisa caracterizou o perfil das crianças atendidas no CTQ.

O residente Anderson Moraes fala da importância das produções e reconhece o trabalho desenvolvido no HMUE. “É uma maneira de divulgar o nosso trabalho para outros profissionais, para que eles possam reproduzir o procedimento com seus pacientes ou mesmo aprimorá-los. Mostramos, também, o que as profissões da área da saúde têm a oferecer ao usuário,” disse.

Com tantas produções, muitos trabalhos já foram apresentados em eventos científicos. O residente de Terapia Ocupacional, Lucas da Silva Muniz, foi um dos que tiveram oportunidade de representar o Hospital Metropolitano. A participação no ‘‘I Congresso de Atenção Multidisciplinar da Saúde’’, promovido pela Universidade do Estado do Pará (Uepa), em abril, foi a primeira experiência científica de Lucas.

O trabalho do grupo liderado por ele analisou a atuação do Terapeuta Ocupacional com pacientes vítimas de traumatismo cranioencefálico. “É o nosso retorno para a sociedade do trabalho importantíssimo realizado dentro do Hospital Metropolitano. O fato de sermos residentes de uma especialização custeada pelo Ministério da Saúde torna este momento importante. É importante dar o retorno sobre o que estamos produzindo e fazendo aqui dentro”, apontou.

O artigo científico “Atuação da Fisioterapia na Urgência e Emergência de um Hospital Referência em Trauma e Queimados de Alta e Média Complexidades”, desenvolvido pelo Departamento de Ensino e Pesquisa do HMUE, conquistou o primeiro lugar geral do ‘‘I Simpósio Multiprofissional em Atenção ao Paciente Crítico’’, realizado nos dias 17 e 18/11, no auditório José Vicente Miranda – ICJ/UFPA.

O trabalho comprovou que o uso da ventilação não invasiva, intermitente, em pacientes com queimadura de tórax, repercute em um aumento da força muscular respiratória desses pacientes, contribuindo para a estabilização e melhora do quadro clínico.

De acordo com o residente de Fisioterapia, Anderson Antunes, para desenvolver o trabalho foram observados seis pacientes – três homens e três mulheres -, durante os anos de 2016 e 2017. Eles fizeram sessões de Fisioterapia, incluindo procedimentos como controle de ventilação mecânica, aspiração traqueal, montagem de ventilação mecânica, transporte intrahospitalar, técnicas de fisioterapia respiratória, entre outros, duas vezes ao dia, pelo período de sete dias, e começaram apresentar evolução na força muscular respiratória.

O diretor Operacional da Pró-Saúde no Pará, Paulo Czrnhak, explica que o Hospital Metropolitano tem um papel primordial de salvar vidas, mas também, de formar profissionais, para que assim o serviço de urgência e emergência da rede pública de saúde possa ser cada vez mais resolutivo. 'Para que haja uma saúde pública eficiente é necessário que hajam profissionais capacitados e que compreendam a importância de serem ágeis. No Hospital Metropolitano estamos fazendo isso. Incentivamos nossos residentes e graduandos que passam pela instituição a compreender que a saúde vai além da ciência, requerendo amor e ouvir o paciente. Estamos formando profissionais que humanizam a saúde e respeitam os direitos do paciente, garantindo, a segurança necessária para o tratamento', comentou.

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