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MOTIVAÇÃO
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Luiz
Marins(*)
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Os "muito ocupados"
Heike Bruch, professor de liderança da Universidade
de St. Gallen, na Suíça, e Sumantra Ghoshal, professor de estratégia
e gerência internacional na London Business School, Londres, estudaram
durante dez anos o comportamento de gerentes "muito ocupados" em quase
doze grandes empresas, incluindo Sony, LG Electronics, Lufthansa e outras.
Pasmem! Nada menos que 90% dos gerentes gastam seu tempo em toda sorte de atividades com baixo valor ou eficácia. Em outras palavras, somente 10% dos gerentes ocupam seu tempo em atividades comprometidas, de real valor para a empresa. Assim, os autores alertam para a diferença entre gerentes (chefes, executivos, supervisores) que realmente contribuem para o crescimento e desenvolvimento da empresa e os que "se fazem parecer muito ocupados" e quase nada contribuem efetivamente.
Um chefe, gerente ou diretor eficaz deve ter duas coisas fundamentais, dizem os autores - foco e energia. A partir dessa premissa, constatam haver quatro tipos de gestores:
Encontramos em todas as empresas estes quatro tipos de dirigentes. A análise do quadrante Foco/Ener-gia parece ser uma ótima ferramenta para a avaliação do quadro de gestores de uma empresa. Num mundo competitivo como o que estamos vivendo, é fácil um gerente cair na armadilha do "ativismo". Trabalhar longas horas, exigir relatórios, criar burocracias desnecessárias, centralizar decisões além da necessidade, podem dar ao gerente uma sensação de competência e além disso dar a ele a idéia de estar passando para seus superiores uma imagem de comprometido. Des-confiar, pois dos gerentes "muito ocupados" é um desafio que precisa ser enfrentado nas empresas. Dirigentes têm que ter tempo para questionar, pensar, planejar, inovar, liderar, motivar seus subordinados à ação eficaz que realmente leve a empresa ao sucesso.
O "procrastinador", aquele que deixa tudo para depois, que "empurra com a barriga" é mais fácil de ser detectado. Muitas vezes a sua atitude de indecisão permanente é justificada pelas incertezas do mercado. A procrastinação pode até vir fantasiada de "prudência", mas ela, certamente é vista hoje, com certa facilidade, como algo negativo.
Também não é uma tarefa difícil na avaliação de dirigentes, a detecção dos "desengajados". Eles sabem bem o que deve ser feito e até o como fazer. Mas falta-lhes o "pique", o "drive" para fazer as coisas acontecerem. Falta-lhes a energia para lutar. Esse tipo de dirigente muitas vezes se justifica, dizendo-se "cansado de lutar" contra os que não compreendem suas posições. Muitas vezes usam a expressão "cansei de brigar para trabalhar" e parecem ter realmente desistido. Esse tipo, acomodado, é muito perigoso para a empresa porque ele não é mau em si. Quando discursa, fala, expõe seus pontos de vista, são capazes de convencer pela coerência de seus argumentos. Isso ocorre porque eles têm foco. Sabem o que fazer e como fazer. Mas na hora de implementar, são fracos de vontade. Desistem frente a qualquer obstáculo e muitas vezes se fazem de vítimas.
O que a pesquisa realmente nos traz de assustador é justamente o fato de que somente 10% dos gerentes puderam ser classificados como "comprometidos", empreendedores etc. Eis aqui um grande desafio para a empresa. Como competir e vencer com esse quadro? O que fazer para mudar esses 90% dos quadrantes onde estão para o quadrante do comprometimento? A nós resta fazer uma auto-análise. Nesse quadrante - foco e energia -, onde nos encontramos? Que tipo de dirigentes somos? Temos tido foco e energia elevados para fazer a diferença no mundo de hoje?