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Engenheiro
clínnico e diretor-executivo da
ECCO Engenharia Clínica e Consultoria Engenharia clínica, hospitais-sentinela e gestão de bens tecnológicos
Neste artigo é apresentado o conceito de engenharia clínica, assunto tão extenso e, ao mesmo tempo, tão desco-nhecido pela maioria dos profissionais de saúde do nosso País. Se-gundo a definição do Colégio Americano de Engenharia Clínica, o engenheiro clínico é "o profissional que aplica e desenvolve os conhecimentos de engenharia e práticas gerenciais às tecnologias de saúde pa-ra proporcionar uma melhoria nos cuidados dispensados ao paciente".
Em termos nacionais, essa definição ainda é extremamente ampla e pode-se iniciar o conceito pensando em gerenciamento dos equipamentos médico-hospitalares. Podería-mos, então, perguntar em quantas Instituições nacionais temos um profissional com formação especia-lizada para gerenciar as tecnologias médicas? Quem, dentro dos hospitais, conhece o funcionamento dos equipamentos, tanto internamente, em termos de engenharia, quanto externamente, em termos de aplicação na medicina? Por meio dessas perguntas, pode-se entender porque temos tão poucas instituições de saúde no País com um setor de en-genharia clínica implantado.
Para que se possa ter uma idéia do trabalho associado a essa nova atividade, pode-se elencar algumas atua-ções do engenheiro clínico dentro de um estabelecimento assistência de saúde:
Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que tem a responsabilidade e a missão de promover e proteger a saúde, garantindo segurança sanitária de serviços e produtos de saúde, lan-çou o Projeto Hospitais-Sentinela (visite a página www.anvisa.gov.-br/tecnovigilancia/oficina_consolida /index.htm). O projeto baseia-se na configuração de uma rede de 100 grandes hospitais distribuídos em todo o território nacional, que rea-lizam ampla gama de procedimentos médicos, dependentes de tais produtos para a saúde, e que façam parte do sistema formador da saúde por conta dos programas de resi-dências médicas que desenvolvem.
Muitas vezes, as falhas em produtos de saúde estão estreitamente relacionadas à qualidade da atenção prestada ao paciente e, não raro, podem ser responsabilizadas em agravos à saúde, seqüelas, e até mesmo, mortes. Esse fato agrava-se pela ausência de tradição dos profissionais de saúde e dos dirigentes de serviços em notificar a ocorrência de falhas envolvendo produtos de saúde.
Diante dessa realidade, a dificuldade em obter notificação de reações adversas, agravos e queixas técnicas sobre produtos de saúde, compromete a atuação da Anvisa, pois a notificação espontânea não tem atingido o volume e o grau de confiança desejáveis para embasar a regularização do mercado, mediante reavaliações futuras de um dado produto.
O Projeto Hospitais-Sentinela prevê responder a essa necessidade da Anvisa de obter informações qualificadas, enquanto cria um meio intra-hospitalar favorável ao envolvimento de ações de vigilância sanitária em hospitais, o que deve resultar em ganhos significativos de qualidade para os serviços e pacientes.
Finalmente, espera-se, com este artigo, iniciar a conscientização dos administradores e diretores das instituições de saúde sobre essa nova área de gestão de bens tecnológicos, a engenharia clínica, que tem como principal missão buscar as soluções para os problemas técnicos e gerenciais dos equipamentos médicos. Com isso, poder diminuir os custos do sistema de saúde, aumentando a confiabilidade, produtividade e rentabilidade dos negócios hospitalares, além de servir, dentro em breve, como elo entre o hospital e a Anvisa nas questões relacionadas à tecnovigilância. |