JUNHO/JULHO DE 2002
NÚMERO 37
ANO 4
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EM DIA

>Olho vivo treinamento
>No caminho do Pirajussara
>Precisa de hospital? Vá ao shopping.
>Projeto limita indenizações por erro médico
>
Integrasus aumenta aporte para filantrópicos
>Espírito profissional

 
SEGURANÇA
 
Bruno Hoffmann

Olho vivo e treinamento

Cenário: os corredores de um hospital da cidade de São Paulo. Os protagonistas: dois vigilantes que se comunicam por rádio. Um diz a outro, preocupado, que havia encontrado produto ra-dioativo no hospital. Muitos pacientes, ao ouvirem aquilo, quiseram ir embora, apavorados com a perspectiva de contaminação. Na verdade, era somente uma inofensiva e vazia caixa de papelão de produtos de raios-x. A história acima é verdadeira e contatada pelo consultor em segurança Carlos Roberto Faria Salaorni, que apenas preferiu omitir o nome do hospital por uma questão de ética. "Esse fato mostra a necessidade de contar com uma equipe de segurança que entenda o funcionamento de um hospital. Não pode ser um profissional comum", explica. Muitos consideram que a segurança em qualquer tipo de setor é como árbitro de futebol: só é boa quando não aparece. Na área hospitalar, essa frase-feita é totalmente válida. Quem necessita ir a um hospital está preocupado principalmente com o atendimento médico que receberá. Somente se alguma coisa sair errada na área de segurança é que ela será notada. O desafio dos adminis-tradores hospitalares parece ser o de tornar o setor eficiente sem cair na tentação de deixá-lo em segundo plano, já que esse setor não ge-ra lucros, apesar de evitar muitos prejuízos quando funciona cor-retamente.

Há alternativa aos hospitais no que diz respeito à segurança: formar uma equipe própria ou, caso prefira, contratar uma empresa especializada. Para quem preferir a primeira opção, deve-se ter alguns cui-dados. Os vigilantes (o termo "segurança", segundo os especialistas, está em desuso) devem ser treinados por academias de vigilantes autorizadas pela Polícia Federal (PF). Essa é uma exigência da própria PF, pois até pouco tempo atrás proliferavam academias, com métodos nem sempre confiáveis. Com essa vigilância da PF, sobra-ram poucas (e presume-se melhores do que as anteriores) escolas de vigilantes. Após a realização do curso, é enviada a documentação à PF, em Brasília, e, se forem aprovados, os profissionais recebem a Carteira Nacional de Vigilantes (CNV), com validade nacional. Essa carteirinha deve ser renovada a cada ano.

Para o especialista em segurança hospitalar, Eduardo Pereira da Silva, a segurança em hospitais é peculiar. "Normalmente, os vigilantes vêm com o treinamento global, como se portar em transporte de carros-fortes ou como ser guarda-costas, por exemplo. Mas a função de um agente de segurança hospitalar, muitas vezes, é a de recepção e atendimento do público", afirma. "Há casos de pessoas que arrumam confusão logo na recepção. Por isso, é interessante ter um agente de segurança junto da recepcionista. A presença masculina inibe quem quiser arrumar problema", explica Silva.

O diretor administrativo do Hospital e Maternidade Santa Joa-na, Marco Antônio Zacarelli, afirma nunca ter tido problemas sérios no que diz respeito à segurança. A instituição possui equipe própria. Apesar de o hospital ser controlado por inteiro, há uma atenção especial na maternidade. "Sem dúvida, é uma área que necessita de uma atenção redobrada. Além do respaldo das câmeras e dos vigilantes, sempre que um bebê vai embora uma enfermeira acompanha os pais até o carro, para garantir que nada saia errado", diz. Por outro lado, não há muito a ser feito no caso de objetos furtados, diz Zacarelli. A recomendação aos funcionários, pacientes e visitantes, é que tomem cuidado especial com seus objetos particulares. "O que podemos fazer é assistir às fitas de vídeo. No caso de não vermos nada suspeito, não há muito a fazer".

Para Carlos Salaorni, que atua na Adicon Planejamento de Segurança, o ideal na maioria dos casos é que as instituições hospitalares prefiram montar uma equipe própria de segurança. "Em geral, equipe própria é melhor, pois os vigilantes terão a filosofia de trabalho da empresa. A equipe mista também é uma boa solução", afirma, referindo-se à utilização de duas equipes em uma mesma empresa, uma própria e outra terceirizada. Ele acredita que medidas simples, como palestras sobre o método de trabalho do hospital, são muito importantes para conseguir uma equipe que aja com método. Para ele, o erro de muitos administradores é terceirizar a segurança, visando somente o corte de custos. "Entendo que, na grande maioria dos casos, a segurança não é prioridade. Mas, deve-se ter um cuidado especial, pois a segurança hospitalar tem aspectos próprios", afirma.

Há ainda a possibilidade de informatizar todo o setor de segurança hospitalar. Existem muitas empresas especializadas nesse tipo de serviço. Uma delas é a Tesa, empresa multinacional de origem espanhola. Por meio de uma fechadura eletrônica controlada por uma central, a empresa garante que o método pode ser mais seguro do que o tradicional, que utiliza principalmente vigilantes.
A fechadura é posta em determinadas portas que, por meio de cartões magnéticos, controla e permite a entrada de pessoas em certos ambientes. Cada fechadura pode ser usada por até três mil pessoas.

Segundo a engenheira da Tesa, Ana Sílvia Batista, a tendência é que a tecnologia torne-se mais importante do que o vigilante, devido ao fato de ser um meio com menos imprevistos. Porém, para ela, a figura do profissional estará sempre presente. "A máquina é muito menos falível. A figura humana, porém, sempre existirá e é importantíssimo que exista", acredita.

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RECURSOS HUMANOS

No caminho do Pirajussara

A cena que se vê na foto acontece todas as quartas-feiras cedo no Hospital Geral de Pirajussara, que fica entre os municípios de Embu e Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Um tapete com o desenho de uma mandala em forma de caracol é estendido no anfiteatro do hospital. Velas e música suave completam o ambiente. Alguns funcionários entram e caminham sobre o tapete num movimento chamado de "preparação". Ao chegar ao centro do desenho ("iluminação"), permanecem por vinte minutos, enquanto "meditam". Depois, voltam pelo mesmo percurso (a "restauração"). O resultado, segundo os participantes, é descrita como uma sensação de bem-estar não muito bem definida. É a terapia do labirinto ou, segundo os coordenadores do projeto, inédito no Brasil, de um programa de relaxamento e humanização hospitalar.
Terapia do labirinto: sensação indefinida

A novidade foi implantada há três meses pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), antiga Escola Paulista de Medicina, das mais conceituadas instituições do País e que administra o HGP. O desenho original, conhecido como Caminho de Jerusalém, foi criado há 800 anos e está na Catedral de Shartres, França. "Era a forma de os peregrinos da-quela época terem a sensação de ir até à Terra Santa" explica o neurologista Afonso Carlos Neves, coordenador do Núcleo de Estudos em Bioética e responsável pelo projeto. O relaxamento, segundo Neves, que também atua no Programa Nacional de Humanização do Ministério da Saúde, favorece a interação entre os colegas de trabalho e pode ser aplicado a funcionários de qualquer nível hierárquico. O médico conheceu a técnica quando morou nos Estados Unidos, em 1997, no Hospi-tal da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, um dos mais destacados centros de ensino e pesquisa americano. Lá, a terapia era usada para ajudar doentes crônicos a conviver melhor com a doença e aumentar a adesão ao tratamento. Inaugurado em 1999, o HGP é refe-rencial para cerca de 450 mil pessoas da região. Possui maternidade e conta com 32 leitos para terapia intensiva e oito para semi-intensiva, entre neonatal, adulto, pediátrica e cardíaca. Agora, passa a ser conhecido também por utilizar essa nova ferramenta de recursos humanos.

Investir em qualidade de vida aumenta produtividade

Diversos setores têm investido na melhoria da qualidade de vida de seus funcionários e incorporado a responsabilidade social. Com isso, as empresas estão constatando que os funcionários que buscam qualidade na alimentação, equilíbrio emocional e cultivam bons hábitos obtêm maior produtividade.
Para o administrador e especia-lista em Recursos Humanos, Marcelo de Almeida, que há quase dez anos presta consultoria a em-presas, "instruir os funcionários sobre como alcançar melhor qua-lidade de vida faz com que eles se sintam mais motivados". Se-gundo Almeida, ao reconhecer que a empresa está preocupada com seu bem-estar, apresentam um sensível aumento na produtividade e os custos com relação às doenças do trabalho são reduzidos. Na avaliação do consultor, ao se estreitar o relacionamento interpessoal dentro da empresa, todos os processos são facilitados. "Os funcionários sentem-se esti-mulados a buscar um maior aperfeiçoamento profissional, o que acaba revertendo numa equipe com melhor formação profissio-nal", explica Almeida.

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INVESTIMENTO
 
Damásio Luz

Precisa de hospital? Vá ao shopping.

Um novo conceito de atendimento na área da saúde começou a tomar forma no Brasil, com a construção de centros médicos de excelência, batizados de "shoppings da saúde" que incluem day hospital. O modelo foi idealizado pelo empresário Rafael Amoedo, presidente da Brasil Memorial, em conjunto com o grupo paulista International Medical Center (IMC), construtor dos empreendimentos. A concepção arquitetônica do complexo médico é semelhante a de um shopping center, assim como o conceito de conforto e qualidade.

O diferencial de um centro médico é o conforto de não precisar deslocar-se a vários endereços para resolver um problema de saúde. Amoedo afirma que este é um nicho novo no mercado brasileiro e tem grande potencial de crescimento. "No Brasil não chega a 15% o número de cirurgias em nível laboratorial. Podemos elevar este índice a 70%", acredita.

O IMC está aplicando R$ 300 mi-lhões em todo o País na construção desses centros. Em curso está um investimento de R$ 50 milhões em Florianópolis (SC), na construção do Baía Sul Medical Center. Do total, R$ 25 milhões são recursos do IMC. Nesses "shoppings da saúde", o paciente faz a consulta, o exame e a cirurgia, se necessário, no mesmo local e no mesmo dia. Na capital catarinense, o empreendimento ocupa uma área de 22 mil metros quadrados. O Laboratório Santa Luzia, o maior do estado, e a Clínica Imagem, serão as "âncoras" do shopping que terá ainda uma centena de consultórios, pronto-socorro, farmácias 24 horas e um modelo de day hospital.

Em construção em Florianópolis estão dois blocos, um de sete e outro de oito andares, que serão entregues em maio de 2003. O Baía Sul Medical terá também estacionamento com 500 vagas rotativas, praça de alimentação, agência bancária, circuito interno de segurança e banca de revistas. Curitiba, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador são as outras cidades escolhidas para sediar investimentos do grupo. O IMC entregou dois complexos médicos em Salvador e está preste a inaugurar um terceiro na capital baiana. O diretor do IMC, Fábio Navajas, que é o empreendedor do negócio, afirma que os centros médicos são uma boa opção não apenas para o usuário que tem plano de saúde. "São produtos que remuneram com taxas acima do mercado os investidores que costumam aplicar em imóveis". Ele diz que as aplicações em imóveis loca-lizados em centros médicos têm uma rentabilidade aproximada de 1,2% ante 1% dos imóveis comuns.

Ao lado do Baía Sul Medical, em Florianópolis, está o mais antigo hospital de Florianópolis, o Hospital de Caridade, com 237 anos. O membro da Irmandade Senhor Jesus dos Passos, entidade mantenedora do Caridade, e assessor da Provedoria, Diogo Ribeiro, considera bem-vindo o empreendimento. "Florianópolis é uma cidade que cresce muito e a demanda por saúde é superior à oferta", diz.
Baía Sul Medical Center: uma centena de consultórios e pronto-socorro.

Ribeiro acredita que num primeiro momento a receita do hospital será afetada em função "da novidade". "Depois o movimento se acomoda. Só teríamos prejuízo se todo o nosso quadro clínico se transferisse para lá", diz. Ribeiro afirma que o Hos-pital de Caridade tem tradição inabalável, atende pelo SUS, tem uma das melhores UTIs do país e está investindo em melhorias. O secretário da Saúde de Santa Catarina, João José Cândido da Silva, ressalta que os hospitais em Florianópolis são públicos e, por isso, não serão afetados pelo novo empreendimento. Segundo ele, o Baía Sul Medical virá complementar os serviços oferecidos.

 

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LEGISLATIVO

Projeto limita indenizações por erro médico

Um projeto de lei, em tramitação na Câmara dos Depu-tados, prevê que os pacien-tes que sofrerem algum erro médico, em que for comprovada a má prática do profissional, poderão ser ressarcidos com o valor máximo de 100 salários mínimos (o equivalente a R$ 20 mil) ou até cinco vezes o valor pago pela intervenção ou tratamento. A iniciativa é do de-putado Darcísio Perondi (PMDB-RS), por meio do projeto de lei 6659/02, encaminhado à Mesa da Câmara na última semana de abril.

Para Perondi, 55 anos e que é médico pediatra, muitas vezes, situações de erro médico geram um impasse, com tribunais abarrotados e in-denizações em "cifras estratosféricas". "É preciso encontrar uma regra para garantir o direito de in-denização aos casos de má prática médica, mas também a continuidade do trabalho do profissional", avaliou Perondi. Segundo ele, o médico deve indenizar, mas não ser "expropriado em função de decisões que acabam por representar enriquecimento desproporcional entre as partes. Precisamos fazer valer o ideal de equilíbrio, que é a meta da Justiça".

Na opinião de Célia Destri, fundadora da Associação de Vítimas de Erros Médicos (Avermes), com sede no Rio de Janeiro, cada caso deve ser avaliado separadamente pela Justiça. "Com base nisso, só a Justiça pode definir os valores de indenização. Acho o projeto vergonhoso". Segundo Célia, a Avermes já obteve cerca de 150 vitórias na Justiça com indenizações que chegaram, no caso de estados vegetativos, a até 1.000 salários mínimos (R$ 200 mil). Segundo a entidade, a média das indenizações arbitradas pelo Superior Tribunal de Justiça gira em torno de 300 salários mínimos (R$ 60 mil).
De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), nos últimos dez anos foram abertos cerca de 1.500 processos por erro médico.

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CONVERSA RÁPIDA


Integrasus aumenta aporte para filantrópicos

No final de abril foi assinada, pelo ministro da saúde Barjas Negri, a portaria que reformula os critérios de credenciamento do Programa Nacional de Incentivo à Parceria entre Hospitais Filantrópi-cos e o Sistema Único de Saúde (Integrasus). O aporte chega a R$ 330 milhões. Um dos principais articuladores para essas mudanças (que valem a partir de junho), o deputado federal e presidente da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB), José Linhares Ponte (PPB-CE), fala com exclusividade sobre as repercussões dessas mudanças.

Notícias Hospitalares Quais as modificações que re-formulam os crit

érios para credenciamento do Integrasus?

José Linhares O Ministério da Saúde co-meçou a caracterizar os hospitais filantrópicos nas categorias A, B e C. Os hospitais de pouco poder resolutivo, de categoria A, conti-nuam recebendo 8% do faturamento de suas AIHs. Os de categoria B, de porte médio e que serão selecionados pelas Secretarias Estaduais de Saúde, recebem 15% sobre o faturamento de suas AIHs. Já os de categoria C, chamados de hospitais es-tratégicos, de alta complexidade, recebem 25%.NH Quanto isso significa de aporte para as instituições filantrópicas?

Linhares Neste ano, o ministério destinará R$ 240 milhões ao Fundo de Ações Estratégicas e Compensa-ção, que é quem sustenta o programa até o dia de hoje. A esse volume serão acrescidos mais R$ 94 milhões aos pagos atualmente para os hospitais contemplados com o Integrasus I e II.

NH Qual o objetivo do ministério e da CMB com essa medida?

Linhares O objetivo é estimular os hospitais e levar a eles um aporte financeiro para que possam melhorar a atual situação econômica em que se encontram. O ministério re-conheceu que as instituições estão ofertando e resolvendo quase 40% das internações do Sistema Único de Saúde.

NH Quais os critérios adotados para essa divisão?

Linhares Foram três: a importância estratégica da unidade caracterizada pelo Sistema Estadual de Saúde, o grau de envolvimento com o sistema e a posição na rede estadual de referência.

NH O Sr. tem outros projetos negociados ou em fase de negociação com o Ministério da Saúde? Linhares Sim. Ainda estamos insistindo na reformulação das tabelas de procedimentos, como também na reedição do decreto-lei 2536, quando teremos resolvido, em caráter definitivo, o problema dos hospitais com relação às exigências do Ministério da Previdência e Assistência Social.

NH Como seria operacionalizado esse decreto-lei?

Linhares Estamos estudando a cria-ção de uma comissão formada pelos três segmentos: Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e CMB, que seria o fórum onde as instituições que não foram contemplados na aquisição dos seus serviços em 60% possam apresentar as justificativas pertinentes. Breve-mente, isso estará sendo divulgado aos associados da CMB.

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PERFIL
 
Luís Fontes

Espírito profissional

Lopes: filantropia profissional.

Há quatro anos o Hospital Santa Rita de Cássia, de Vitória, no Espírito Santo, reformulou a sua administração. Desde 2001, implantou um novo sistema de gestão, com planejamento, orçamento e metas bem definidas, elaboradas e avaliadas anualmente e acompanhadas mensalmente por meio de reuniões de equipes gerenciais. Essa modernização da admi-nistração teve como ponto de partida a profissionalização da gestão, que tem em seu comando o superintendente geral do hospital, o enge-nheiro e administrador de empresas Antônio Reis Lopes.

O Santa Rita é um hospital geral com 200 leitos, dos quais 96 destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Considerado referência em oncologia, possui uma área de nefrologia muito bem desenvolvida e que voltou a fazer transplantes renais com bons resultados.

Instalado em Maruípe, região central de Vitória, o Hospital Santa Rita atende pacientes de todo o Espírito Santo, Sul da Bahia e Norte do Rio de Janeiro. Fundado há 32 anos, recentemente reformou seus dois Centros de Terapia Intensiva, infantil e adulto. O CTI adulto estava com 12 leitos e recebeu o acréscimo de mais quatro para a unidade coronariana e outros seis destinados à recuperação. No total, o hospital conta com 800 funcionários diretos.Outras 500 pessoas, envolvendo prestadores de serviços e médicos, atuam lá regularmente.

A busca da modernização administrativa partiu da mantenedora do hospital, a Associação Feminina de Educação e Combate ao Câncer (AFECC) que inicialmente contratou os serviços da empresa de consultoria do próprio Antônio Reis. Posteriormente, ele foi convidado a assumir a superintendência do hospital e aceitou. O resultado é que, hoje, há um trabalho integrado en-volvendo todas as áreas do Santa Rita, com reflexos positivos no resultado.

Dentro dessa nova visão administrativa, o hospital tem conseguido manter a filosofia de profissio-nalizar a gestão, mas sem deixar de ser filantrópico. "A mantenedora nos direcionou nesse sentido e temos conseguido juntar a profissio-nalização da gestão com a filantropia", afirma o superintendente geral.

Santa Rita: 200 leitos, dos quais 96 destinados ao SUS.

O novo rumo administrativo tem proporcionado ao hospital inúmeros avanços. O Santa Rita pôde recorrer ao programa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de reestruturação e modernização gerencial de hospitais filantrópicos, angariando 7,1 milhões de reais para investir em reformas físicas e aquisição de novos equipamentos.

Para avaliar os resultados do seu trabalho, o hospital realizou uma pesquisa entre 1999 e 2000 com a população, os clientes e principais prestadores de serviços. A tabulação dos resultados possibilitou conduzir uma série de ações, algumas ainda em fase de implementação. Antônio Reis explica que uma pesquisa semelhante foi feita recentemente e que a partir dela, o hospital está implementando o seu SAC, Sistema de Atendimento ao Cliente. "Estamos concentrando esforços para melhorar aquilo em que não fomos bem avaliados e aprimorar ainda mais o que foi citado como aspecto positivo", garante.

A administração do Santa Rita tem programas voltados para a humani-zação do atendimento, que envol-vem o corpo de voluntários um grupo de 380 pessoas , e também mudanças no espaço físico. Atual-mente, por exemplo, estão sendo criadas áreas externas relaxantes que incluem lagos com peixes e viveiros de pássaros.

Outro aspecto que Antônio Reis valoriza é o da instalação de telefones nas enfermarias do SUS. Essa comodidade oferece mais conforto aos pacientes e diminui o movimento de pessoas no hospital. "O paciente que vem do interior ou de outros Estados pode falar com seus familiares regularmente. É uma melhora significativa na questão da huma-nização", explica Lopes.


Colaborou Elissandra Oliveira.

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