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>Olho
vivo treinamento
Olho vivo e treinamento Cenário: os corredores de um hospital da cidade de São Paulo. Os protagonistas: dois vigilantes que se comunicam por rádio. Um diz a outro, preocupado, que havia encontrado produto ra-dioativo no hospital. Muitos pacientes, ao ouvirem aquilo, quiseram ir embora, apavorados com a perspectiva de contaminação. Na verdade, era somente uma inofensiva e vazia caixa de papelão de produtos de raios-x. A história acima é verdadeira e contatada pelo consultor em segurança Carlos Roberto Faria Salaorni, que apenas preferiu omitir o nome do hospital por uma questão de ética. "Esse fato mostra a necessidade de contar com uma equipe de segurança que entenda o funcionamento de um hospital. Não pode ser um profissional comum", explica. Muitos consideram que a segurança em qualquer tipo de setor é como árbitro de futebol: só é boa quando não aparece. Na área hospitalar, essa frase-feita é totalmente válida. Quem necessita ir a um hospital está preocupado principalmente com o atendimento médico que receberá. Somente se alguma coisa sair errada na área de segurança é que ela será notada. O desafio dos adminis-tradores hospitalares parece ser o de tornar o setor eficiente sem cair na tentação de deixá-lo em segundo plano, já que esse setor não ge-ra lucros, apesar de evitar muitos prejuízos quando funciona cor-retamente. Há alternativa aos hospitais no que diz respeito à segurança: formar uma equipe própria ou, caso prefira, contratar uma empresa especializada. Para quem preferir a primeira opção, deve-se ter alguns cui-dados. Os vigilantes (o termo "segurança", segundo os especialistas, está em desuso) devem ser treinados por academias de vigilantes autorizadas pela Polícia Federal (PF). Essa é uma exigência da própria PF, pois até pouco tempo atrás proliferavam academias, com métodos nem sempre confiáveis. Com essa vigilância da PF, sobra-ram poucas (e presume-se melhores do que as anteriores) escolas de vigilantes. Após a realização do curso, é enviada a documentação à PF, em Brasília, e, se forem aprovados, os profissionais recebem a Carteira Nacional de Vigilantes (CNV), com validade nacional. Essa carteirinha deve ser renovada a cada ano. Para o especialista em segurança hospitalar, Eduardo Pereira da Silva, a segurança em hospitais é peculiar. "Normalmente, os vigilantes vêm com o treinamento global, como se portar em transporte de carros-fortes ou como ser guarda-costas, por exemplo. Mas a função de um agente de segurança hospitalar, muitas vezes, é a de recepção e atendimento do público", afirma. "Há casos de pessoas que arrumam confusão logo na recepção. Por isso, é interessante ter um agente de segurança junto da recepcionista. A presença masculina inibe quem quiser arrumar problema", explica Silva. O diretor administrativo do Hospital e Maternidade Santa Joa-na, Marco Antônio Zacarelli, afirma nunca ter tido problemas sérios no que diz respeito à segurança. A instituição possui equipe própria. Apesar de o hospital ser controlado por inteiro, há uma atenção especial na maternidade. "Sem dúvida, é uma área que necessita de uma atenção redobrada. Além do respaldo das câmeras e dos vigilantes, sempre que um bebê vai embora uma enfermeira acompanha os pais até o carro, para garantir que nada saia errado", diz. Por outro lado, não há muito a ser feito no caso de objetos furtados, diz Zacarelli. A recomendação aos funcionários, pacientes e visitantes, é que tomem cuidado especial com seus objetos particulares. "O que podemos fazer é assistir às fitas de vídeo. No caso de não vermos nada suspeito, não há muito a fazer". Para Carlos Salaorni, que atua na Adicon Planejamento de Segurança, o ideal na maioria dos casos é que as instituições hospitalares prefiram montar uma equipe própria de segurança. "Em geral, equipe própria é melhor, pois os vigilantes terão a filosofia de trabalho da empresa. A equipe mista também é uma boa solução", afirma, referindo-se à utilização de duas equipes em uma mesma empresa, uma própria e outra terceirizada. Ele acredita que medidas simples, como palestras sobre o método de trabalho do hospital, são muito importantes para conseguir uma equipe que aja com método. Para ele, o erro de muitos administradores é terceirizar a segurança, visando somente o corte de custos. "Entendo que, na grande maioria dos casos, a segurança não é prioridade. Mas, deve-se ter um cuidado especial, pois a segurança hospitalar tem aspectos próprios", afirma. Há
ainda a possibilidade de informatizar todo o setor de segurança
hospitalar. Existem muitas empresas especializadas nesse tipo de serviço.
Uma delas é a Tesa, empresa multinacional de origem espanhola.
Por meio de uma fechadura eletrônica controlada por uma central,
a empresa garante que o método pode ser mais seguro do que o tradicional,
que utiliza principalmente vigilantes.
Segundo a engenheira da Tesa, Ana Sílvia Batista, a tendência é que a tecnologia torne-se mais importante do que o vigilante, devido ao fato de ser um meio com menos imprevistos. Porém, para ela, a figura do profissional estará sempre presente. "A máquina é muito menos falível. A figura humana, porém, sempre existirá e é importantíssimo que exista", acredita. No caminho do Pirajussara A cena que
se vê na foto acontece todas as quartas-feiras cedo no Hospital
Geral de Pirajussara, que fica entre os municípios de Embu e Taboão
da Serra, na Grande São Paulo. Um tapete com o desenho de uma mandala
em forma de caracol é estendido no anfiteatro do hospital. Velas
e música suave completam o ambiente. Alguns funcionários
entram e caminham sobre o tapete num movimento chamado de "preparação".
Ao chegar ao centro do desenho ("iluminação"),
permanecem por vinte minutos, enquanto "meditam". Depois, voltam
pelo mesmo percurso (a "restauração"). O resultado,
segundo os participantes, é descrita como uma sensação
de bem-estar não muito bem definida. É a terapia do labirinto
ou, segundo os coordenadores do projeto, inédito no Brasil, de
um programa de relaxamento e humanização hospitalar.
A novidade foi implantada há três meses pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), antiga Escola Paulista de Medicina, das mais conceituadas instituições do País e que administra o HGP. O desenho original, conhecido como Caminho de Jerusalém, foi criado há 800 anos e está na Catedral de Shartres, França. "Era a forma de os peregrinos da-quela época terem a sensação de ir até à Terra Santa" explica o neurologista Afonso Carlos Neves, coordenador do Núcleo de Estudos em Bioética e responsável pelo projeto. O relaxamento, segundo Neves, que também atua no Programa Nacional de Humanização do Ministério da Saúde, favorece a interação entre os colegas de trabalho e pode ser aplicado a funcionários de qualquer nível hierárquico. O médico conheceu a técnica quando morou nos Estados Unidos, em 1997, no Hospi-tal da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, um dos mais destacados centros de ensino e pesquisa americano. Lá, a terapia era usada para ajudar doentes crônicos a conviver melhor com a doença e aumentar a adesão ao tratamento. Inaugurado em 1999, o HGP é refe-rencial para cerca de 450 mil pessoas da região. Possui maternidade e conta com 32 leitos para terapia intensiva e oito para semi-intensiva, entre neonatal, adulto, pediátrica e cardíaca. Agora, passa a ser conhecido também por utilizar essa nova ferramenta de recursos humanos.
Precisa de hospital? Vá ao shopping. Um novo conceito de atendimento na área da saúde começou a tomar forma no Brasil, com a construção de centros médicos de excelência, batizados de "shoppings da saúde" que incluem day hospital. O modelo foi idealizado pelo empresário Rafael Amoedo, presidente da Brasil Memorial, em conjunto com o grupo paulista International Medical Center (IMC), construtor dos empreendimentos. A concepção arquitetônica do complexo médico é semelhante a de um shopping center, assim como o conceito de conforto e qualidade.
O diferencial de um centro médico é o conforto de não precisar deslocar-se a vários endereços para resolver um problema de saúde. Amoedo afirma que este é um nicho novo no mercado brasileiro e tem grande potencial de crescimento. "No Brasil não chega a 15% o número de cirurgias em nível laboratorial. Podemos elevar este índice a 70%", acredita.
O IMC está aplicando R$ 300 mi-lhões em todo o País na construção desses centros. Em curso está um investimento de R$ 50 milhões em Florianópolis (SC), na construção do Baía Sul Medical Center. Do total, R$ 25 milhões são recursos do IMC. Nesses "shoppings da saúde", o paciente faz a consulta, o exame e a cirurgia, se necessário, no mesmo local e no mesmo dia. Na capital catarinense, o empreendimento ocupa uma área de 22 mil metros quadrados. O Laboratório Santa Luzia, o maior do estado, e a Clínica Imagem, serão as "âncoras" do shopping que terá ainda uma centena de consultórios, pronto-socorro, farmácias 24 horas e um modelo de day hospital.
Em construção em Florianópolis estão dois blocos, um de sete e outro de oito andares, que serão entregues em maio de 2003. O Baía Sul Medical terá também estacionamento com 500 vagas rotativas, praça de alimentação, agência bancária, circuito interno de segurança e banca de revistas. Curitiba, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador são as outras cidades escolhidas para sediar investimentos do grupo. O IMC entregou dois complexos médicos em Salvador e está preste a inaugurar um terceiro na capital baiana. O diretor do IMC, Fábio Navajas, que é o empreendedor do negócio, afirma que os centros médicos são uma boa opção não apenas para o usuário que tem plano de saúde. "São produtos que remuneram com taxas acima do mercado os investidores que costumam aplicar em imóveis". Ele diz que as aplicações em imóveis loca-lizados em centros médicos têm uma rentabilidade aproximada de 1,2% ante 1% dos imóveis comuns. Ao lado do Baía Sul Medical, em Florianópolis, está o mais antigo hospital de Florianópolis, o Hospital de Caridade, com 237 anos. O membro da Irmandade Senhor Jesus dos Passos, entidade mantenedora do Caridade, e assessor da Provedoria, Diogo Ribeiro, considera bem-vindo o empreendimento. "Florianópolis é uma cidade que cresce muito e a demanda por saúde é superior à oferta", diz.
Ribeiro acredita que num primeiro momento a receita do hospital será afetada em função "da novidade". "Depois o movimento se acomoda. Só teríamos prejuízo se todo o nosso quadro clínico se transferisse para lá", diz. Ribeiro afirma que o Hos-pital de Caridade tem tradição inabalável, atende pelo SUS, tem uma das melhores UTIs do país e está investindo em melhorias. O secretário da Saúde de Santa Catarina, João José Cândido da Silva, ressalta que os hospitais em Florianópolis são públicos e, por isso, não serão afetados pelo novo empreendimento. Segundo ele, o Baía Sul Medical virá complementar os serviços oferecidos.
Projeto limita indenizações por erro médico
Integrasus aumenta aporte para filantrópicos
Notícias Hospitalares Quais as modificações que re-formulam os crit érios para credenciamento do Integrasus? José Linhares O Ministério da Saúde co-meçou a caracterizar os hospitais filantrópicos nas categorias A, B e C. Os hospitais de pouco poder resolutivo, de categoria A, conti-nuam recebendo 8% do faturamento de suas AIHs. Os de categoria B, de porte médio e que serão selecionados pelas Secretarias Estaduais de Saúde, recebem 15% sobre o faturamento de suas AIHs. Já os de categoria C, chamados de hospitais es-tratégicos, de alta complexidade, recebem 25%.NH Quanto isso significa de aporte para as instituições filantrópicas? Linhares Neste ano, o ministério destinará R$ 240 milhões ao Fundo de Ações Estratégicas e Compensa-ção, que é quem sustenta o programa até o dia de hoje. A esse volume serão acrescidos mais R$ 94 milhões aos pagos atualmente para os hospitais contemplados com o Integrasus I e II.
NH Qual o objetivo do ministério e da CMB com essa medida? Linhares O objetivo é estimular os hospitais e levar a eles um aporte financeiro para que possam melhorar a atual situação econômica em que se encontram. O ministério re-conheceu que as instituições estão ofertando e resolvendo quase 40% das internações do Sistema Único de Saúde.
NH Quais os critérios adotados para essa divisão? Linhares Foram três: a importância estratégica da unidade caracterizada pelo Sistema Estadual de Saúde, o grau de envolvimento com o sistema e a posição na rede estadual de referência.
NH O Sr. tem outros projetos negociados ou em fase de negociação com o Ministério da Saúde? Linhares Sim. Ainda estamos insistindo na reformulação das tabelas de procedimentos, como também na reedição do decreto-lei 2536, quando teremos resolvido, em caráter definitivo, o problema dos hospitais com relação às exigências do Ministério da Previdência e Assistência Social.
NH Como seria operacionalizado esse decreto-lei? Linhares Estamos estudando a cria-ção de uma comissão formada pelos três segmentos: Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e CMB, que seria o fórum onde as instituições que não foram contemplados na aquisição dos seus serviços em 60% possam apresentar as justificativas pertinentes. Breve-mente, isso estará sendo divulgado aos associados da CMB.
Espírito profissional
Há quatro anos o Hospital Santa Rita de Cássia, de Vitória, no Espírito Santo, reformulou a sua administração. Desde 2001, implantou um novo sistema de gestão, com planejamento, orçamento e metas bem definidas, elaboradas e avaliadas anualmente e acompanhadas mensalmente por meio de reuniões de equipes gerenciais. Essa modernização da admi-nistração teve como ponto de partida a profissionalização da gestão, que tem em seu comando o superintendente geral do hospital, o enge-nheiro e administrador de empresas Antônio Reis Lopes.
O Santa Rita é um hospital geral com 200 leitos, dos quais 96 destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Considerado referência em oncologia, possui uma área de nefrologia muito bem desenvolvida e que voltou a fazer transplantes renais com bons resultados.
Instalado em Maruípe, região central de Vitória, o Hospital Santa Rita atende pacientes de todo o Espírito Santo, Sul da Bahia e Norte do Rio de Janeiro. Fundado há 32 anos, recentemente reformou seus dois Centros de Terapia Intensiva, infantil e adulto. O CTI adulto estava com 12 leitos e recebeu o acréscimo de mais quatro para a unidade coronariana e outros seis destinados à recuperação. No total, o hospital conta com 800 funcionários diretos.Outras 500 pessoas, envolvendo prestadores de serviços e médicos, atuam lá regularmente. A busca da modernização administrativa partiu da mantenedora do hospital, a Associação Feminina de Educação e Combate ao Câncer (AFECC) que inicialmente contratou os serviços da empresa de consultoria do próprio Antônio Reis. Posteriormente, ele foi convidado a assumir a superintendência do hospital e aceitou. O resultado é que, hoje, há um trabalho integrado en-volvendo todas as áreas do Santa Rita, com reflexos positivos no resultado.
Dentro dessa nova visão administrativa, o hospital tem conseguido manter a filosofia de profissio-nalizar a gestão, mas sem deixar de ser filantrópico. "A mantenedora nos direcionou nesse sentido e temos conseguido juntar a profissio-nalização da gestão com a filantropia", afirma o superintendente geral.
O novo rumo administrativo tem proporcionado ao hospital inúmeros avanços. O Santa Rita pôde recorrer ao programa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de reestruturação e modernização gerencial de hospitais filantrópicos, angariando 7,1 milhões de reais para investir em reformas físicas e aquisição de novos equipamentos.
Para avaliar os resultados do seu trabalho, o hospital realizou uma pesquisa entre 1999 e 2000 com a população, os clientes e principais prestadores de serviços. A tabulação dos resultados possibilitou conduzir uma série de ações, algumas ainda em fase de implementação. Antônio Reis explica que uma pesquisa semelhante foi feita recentemente e que a partir dela, o hospital está implementando o seu SAC, Sistema de Atendimento ao Cliente. "Estamos concentrando esforços para melhorar aquilo em que não fomos bem avaliados e aprimorar ainda mais o que foi citado como aspecto positivo", garante.
A administração do Santa Rita tem programas voltados para a humani-zação do atendimento, que envol-vem o corpo de voluntários um grupo de 380 pessoas , e também mudanças no espaço físico. Atual-mente, por exemplo, estão sendo criadas áreas externas relaxantes que incluem lagos com peixes e viveiros de pássaros.
Outro
aspecto que Antônio Reis valoriza é o da instalação
de telefones nas enfermarias do SUS. Essa comodidade oferece mais conforto
aos pacientes e diminui o movimento de pessoas no hospital. "O paciente
que vem do interior ou de outros Estados pode falar com seus familiares
regularmente. É uma melhora significativa na questão da
huma-nização", explica Lopes. Colaborou Elissandra Oliveira. |