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Um
diferencial possível também
no ambiente hospitalar brasileiro
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João
Augusto B. Figueiró (*)
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A boa assistência à dor passou a ser um
dos critérios para definir a excelência dos
serviços dos hospitais.
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Estudos epidemiológicos
de-monstram que a dor é a razão principal pela qual 75% a 80%
das pessoas procuram o sistema de saúde. Estima-se que a dor crônica
acometa de 30% a 60% da população brasileira, sendo a principal
causa de absenteísmo, licenças mé-dicas, aposentadoria
por doença, indenizações trabalhistas, baixa produtividade,
constituindo-se gra-ve problema de saúde pública.
Em 1997, sensível a essa situação, a Associação
Médica Brasileira (AMB) criou o Programa Nacional de Educação
Continuada em Dor e Cuidados Paliativos para Profis-sionais de Saúde
da AMB, homologada pelo Ministro da Saúde em 1998. Os objetivos basicamente
são:
- Desenvolver um programa na-cional de educação continuada para
profissionais de saúde e educação comunitária
para o público leigo em dor e cuidados paliativos.
- Promover a introdução do ensino
especializado em dor e cuidados paliativos no currículo das faculdades
da área da saúde.
- Sensibilizar as autoridades governamentais para a importância da mudança
deste panorama em nosso país.
- Estimular a atuação de associa-ções de pacientes
portadores de dores crônicas e fora de recursos curativos, seus familiares
e cui-dadores com a finalidade de promover educação comunitária,
reivindicar melhoria na assistência e maior disponibilidade de meios
terapêuticos.
- Seguir fielmente as diretrizes internacionalmente preconizadas pelos órgãos
da saúde e socie-dades envolvidas com a matéria, com as necessárias
adaptações regionais e culturais de modo a oferecer cuidados
adequados a pacientes com dor e sintomas relacionados a doenças fora
de recursos curativos.
- Criar infra-estrutura física apropriada ao treinamento prático
dos profissionais interessados nas áreas de dor e cuidados paliativos
em locais em que já existam os recursos humanos necessários
a tal capacitação com o intuito de favorecer a implantação
de novos centros de assistência em dife-rentes regiões do Brasil.
- Estimular a criação de novos centros multidisciplinares de
assis-tência a pacientes com dor e ca-rentes de cuidados paliativos
em diferentes regiões geográficas brasileiras de modo a oferecer
um atendimento descentralizado e regionalizado.
- Criar um centro nacional de informação e um banco de dados
com informações para profissionais de saúde, pacientes,
familiares e po-pulação em geral nas áreas de dor e cuidados
paliativos que disse-mine informações relevantes relativas a
pesquisas atuais, novos métodos de diagnóstico e tratamento,
avanços tecnológicos e aspectos éticos.
- Desenvolver campanha de divulgação e ações promocionais,
para tornar a problemática da dor mais conhecida e gerar recursos ou
atrair parceiros financiadores para tornar o programa e a ONG auto-sustentável.
Em outubro de 2001, foi lançado o Aliviador _ Programa
Nacional de Educação Continuada em Dor e Cuidados Paliativos da
AMB. A abrangência do Aliviador vai da reforma curricular nas faculdades
da área da saúde, criação de centros hospitalares
e ambulatoriais de excelência em várias regiões bra-sileiras
à publicação de cartilhas com recomendações
básicas para pacientes e materiais educativo para os profissionais de
saúde.
Desde janeiro deste ano. nos EUA, a Joint Commission on Accreditation
of Healthcare Organizations definiu a dor como uma prioridade de saúde
pública e publicou as diretrizes que devem ser adotadas pelos serviços
de saúde, pelas equipes médicas e mesmo pelos pacientes. A boa
assistência à dor passou a ser um dos critérios para definir
a excelência dos serviços hospitalares. Os hospitais que desejarem
otimizar a sua assistência deverão se integrar a este movimento
também no Brasil.
(*) Médico do Centro Multidisciplinar de Dor do Hospital das Clínicas
(USP), coordenador do Programa Nacional de Educação Continuada em
Dor e Cui-dados Paliativos da AMB e membro fundador da ONG Aliviador (jfigueiro@uol.com.br).