Meta e metas
 
Guilherme da Silva Borges (*)

Quem for capaz de fazer com que todo o conjunto da instituição se concentre decididamente na busca de uma conquista comum, poderá se considerar um líder.

Acredito que, na administração, como em várias ou-tras ciências, a mensagem certa pode vir a ser entendida da forma errada, ou até mesmo, ser aplicada em momentos inoportunos, o que diminui suas chances de sucesso.

O processo de comunicação nas empresas já foi estudado amplamente, porém continua a ser um sério problema nas organizações. O que fazer?

A análise completa deste tema vem sendo sistematicamente abordada por vários especialistas. Porém, acredito, a eficácia desta análise está mais intimamente ligada a um processo de aprendizado por etapas, em que o estudo de casos trata-se de uma maneira de observar erros comuns na prática, aprofundando sua compreensão e procurando estender a outros exemplos as lições aprendidas nestes estudos, a fim de minimizar a repetição de erros, bem como aumentar os acertos futuros.

Um caso típico em que ouvimos coisas certas e aplicamos de maneira errada seria a economia, em que nossos experts acorrem as mais conceituadas escolas do mundo a fim de aprender com o exemplo de ou-tros, trazendo ao nosso país modelos preconcebidos, sem tomarem o devido cuidado de adaptá-los à realidade e minúcias próprias do nosso povo e do nosso país. Que o digam o nosso atual governo e o nosso estilo, todo "próprio", de fazer democracia.

Um outro exemplo, aplicável à área de saúde, é a reflexão estratégica, em que muitas vezes ocorre uma terrível confusão na definição de metas e objetivos, planos de ação estratégico e setorial, diretrizes e valores. Analisemos o exemplo da meta, dado sua importância e a incompreensão que se costuma gerar em torno de sua definição.

Não é incomum ver planejamentos institucionais em que a meta são várias metas, cada uma, geralmente, ligada a uma área específica da empresa. Assim, temos metas para a administração, para os serviços de apoio, médicos etc. Ora, se a meta é justamente aquela conquista almejada, em que vale à pena se concentrar o esforço do conjunto, então, perguntamos: como poderá ser desdobrada? A meta, compreendam, é uma só. Para cada plano, uma meta. Quanto aos outros itens do plano, o que os valida é justamente sua li-gação íntima com os esforços para se alcançar a meta definida. É perfeitamente compreensível que nós às vezes tenhamos dificuldade para definir uma meta, mais justamente aí reside o valor dessa definição. É difícil, mais vale a pena. Quem for capaz de fazer com que todo o conjunto da instituição se concentre decididamente na busca de uma conquista comum, poderá se considerar um líder. Quem não o for, deverá pensar se-riamente a esse respeito.

Finalmente, é preciso lembrar que a empresa e, por conseqüência, seus líderes e colaboradores, têm outros afazeres. Não se deve parar tudo, inclusive coisas imprescindíveis ou de fato urgentes, em função do alcance da meta. Porém, se for preciso e possível parar quase tudo para alcança-la, isso valerá à pena, desde que ela tenha sido bem definida. Lembremo-nos, no entanto, que tudo tem seu tempo e que é preciso definir bem o caminho, a estratégia a ser seguida para o sucesso. O alcance da meta, impõe, necessariamente, a conquista do sucesso por etapas, pois a lógica está estabelecida naturalmente e não se colhe antes de se semear.


(*) Administrador e coordenador hospitalar da Pró-Saúde / Regional Minas Gerais.