Home Care:
mais vantagens
Luiza Watanabe Dal Bem (*)

É um sistema mais barato, mais humano e alternativo de assistência à saúde no nosso País, como continuação do tratamento hospitalar.

Nos EUA, 7,4 milhões de pessoas foram atendidas em 1997 por cerca de 20.215 organizações de home care. No Brasil, há aproximadamente dez anos, por exigência do mercado, começaram a surgir as primeiras empresas no setor privado para atender o paciente em regime particular ou conveniado. Em nosso País, os fatores mobilizadores para o crescimento dessa modalidade de assistência são:

Um aspecto importante que impulsiona essa adesão é a alteração do perfil demográfico advinda do envelhecimento populacional que leva a um desequilíbrio entre a po-pulação jovem trabalhadora, ge-radora de recursos e impostos, que está progressivamente diminuindo, e a população idosa aposentada, consumidora de recursos sociais, que está progressivamente aumentando. Diante dessa condição, o administrador público enfrenta o problema de gastos sociais crescentes com ingressos tributários decrescentes.

A assistência conta com equipamentos, medicamentos e procedimentos de alta tecnologia, o que facilita o monitoramento do pa-ciente em seu domicílio e constitui um fator de redução de custos. A possibilidade de ter um panorama do estado clínico à distância em tempo real do paciente traduz tranqüilidade à equipe multidisciplinar e ao médico e, para os admi-nistradores, uma otimização dos recursos materiais e humanos, tornando horizontalizados os níveis hierárquicos.

A experiência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo demonstra a possibilidade de redu-ção em até 70% do tempo de internação hospitalar sem deixar de prestar uma ótima assistência médica. Desta experiência pode-se inferir que no Brasil, se o serviço for implantado em larga escala, a oferta de leitos hospitalares crescerá cerca de 30%. Por analogia, poderemos ter uma capacidade muito maior de atendimento, pois a população brasileira é assistida em 65% pelo SUS, 25% pelo setor privado e 10% da população não tem nenhum tipo de assistência.

É um desafio ao sistema de saúde e à sociedade o processo de auxiliar o indivíduo a adaptar-se a uma do-ença crônica, pois, os fatores fisio-lógicos, sociológicos, psicológicos, tecnológicos e temporais, estão envolvidos. Os pacientes assistidos são portadores de seqüelas neurológicas, diabetes, hipertensão, pós-operatório de cirurgias ortopé-dicas. A experiência nos mostra que o acompanhamento dos indivíduos por uma equipe multidisciplinar comprometida traduz um "novo" olhar por parte do cliente. Essa nova forma de enfrentamento faz com que ocorram as mudanças ao estilo de vida, um aprendizado sobre a doença, um melhor controle do tratamento médico prescrito, um aprendizado sobre técnicas e dispositivos que podem substituir a função perdida.

A qualidade percebida pelo cliente, está na competência humana dos profissionais da equipe, além da combinação de conhecimento técnico-científico, equilíbrio de atitudes e habilidades pessoais.

O home care constitui um sistema mais barato, mais humano e uma alternativa de assistência à saúde no nosso país, como continuação do tratamento hospitalar.


(*) Mestre em Enfermagem e Doutoran-da em Administração em Enfermagem pela EEUSP.

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