Melhor que dinheiro
 
Luiz Marins(*)

A todos que queriam tirar fotos e pedir autógrafos, o artista dizia: só dou autógrafo e
tiro fotos com o
"campeão" aqui.

Tenho visto programas mi-lionários de incentivo a funcionários. Na área de vendas esses programas se multiplicam. São viagens a locais paradisíacos, cruzeiros nos sete mares, automó-veis, videocassetes e até bicicletas distribuidas aos vencedores e, é claro, prêmios em dinheiro ou vale-trocas por mercadorias à escolha dos campeões.

Quais ferramentas de incentivo poderão ser mais eficazes nos tempos atuais? Viagens, carros, motos, videocassetes, brindes especiais, somas em dinheiro etc., além de "viciarem" o funcionário como um cão de Pavlov _ só responderá mediante estímulos crescentes _ em muitos casos que analisamos come-çam a não surtir mais o efeito espe-rado entre nossos funcionários. O que fazer? Minha sugestão é que as empresas ofereçam como incentivo a seus funcionários o que nenhum di-nheiro pode comprar _ prestígio, reconhecimento.

Certa vez perguntamos a gerentes de venda de grandes magazines o que seus vendedores gostariam de ganhar para vender esta ou aquela marca. O que realmente os faria comprometidos com a empresa que oferecesse o tal incentivo. Após uma longa discussão e análise, os gerentes nos disseram: "não venha com motos, videocassetes, bicicletas, viagem a praias etc. Nossos vendedores nem sabem mais de quem estão ganhando tantos prê-mios que já têm em suas casas e viagens que já cansaram de fazer a lugares que já conhecem".

Aí, então, fizemos um programa de incentivo que desse aos vendedores algo que o dinheiro não podia comprar. Fizemos uma avaliação dos melhores vendedores e aos me-lhores fizemos um programa de prestígio pessoal.

Contratamos um conhecido artista de novela e orientamos esse artista para que em um determinado dia, sem que o vendedor soubesse, fosse até o local onde ele trabalha, em sua cidade e o procurasse em sua loja. Combinamos com a Imprensa local e com os familiares do vendedor para que eles fossem no mesmo dia e horário até a loja em que ele trabalha. Pedimos que não contassem nada ao vendedor. Ao chegar na loja, o artista, evidentemente, foi cercado por fãs. Entre funcionários e clientes o artista perguntou pelo vendedor. O vendedor, sem compreender o que estava se passando se apresentou e o artista disse: " Vim cumprimentá-lo pessoalmente por saber ser você o campeão de vendas desta loja!".

A todos os que queriam tirar fotos e pedir autógrafos,o artista dizia: "Só dou autógrafo e tiro fotos com o `campeão' aqui!". Logo chegaram a esposa e os filhos do vendedor e autógrafos e fotos foram dados somente a eles. O artista convidou o vendedor e seus familiares e foram a um restaurante da cidade para almoçar. A Imprensa local re-gistrava tudo freneticamente!

Não preciso dizer que no dia seguinte e nas semanas subseqüentes o comentário na loja e na cidade era só o prestígio do vendedor, exclusivamente visitado e, portanto, prestigiado pelo tal artista de novela. Não preciso dizer que o que sentiram o vendedor e seus familiares. O orgulho da família, o prestígio na sua cidade, os comentários.
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