HRBA alerta condutores para consequências dos acidentes de trânsito

Anualmente, no Brasil, ocorrem mais de 43 mil óbitos e cerca de 200 mil vítimas são hospitalizadas, segundo dados do Ministério da Saúde. O custo total disso chega a quase R$ 56 bilhões por ano, incluindo despesas com o socorro, leitos dos hospitais, medicamentos, indenizações, entre outros. A imprudência é a principal causa dos acidentes. Em Santarém (PA), foram atendidas 1.630 vítimas de acidentes de trânsito no primeiro semestre deste ano. Em 2015, o número foi de 5.598, com 96 óbitos. A cada dez acidentados, seis sofrem acidentes em motocicletas. O ortopedista Emmanuel Silva revela que a gravidade dos acidentes tem aumentado. “Temos visto, na prática, que as fraturas têm sido mais graves, com sequelas maiores. As fraturas são múltiplas, são complexas”, explica.

Para tentar mudar essa realidade, o Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA) realizou a campanha “Direção viva: você consciente, trânsito mais seguro”, na quinta-feira, 24/11. A campanha está sendo promovida pelos hospitais públicos do Pará administrados pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar sob contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). “A ideia é chamar a atenção para os cuidados que devem ser tomados no trânsito, que podem reduzir ou evitar os transtornos sofridos pelos familiares”, conta uma das organizadoras da ação, Claudiléia Galvão.

O HRBA fez uma blitz em frente à unidade expondo material gráfico com depoimentos de vítimas do trânsito, como forma de chamar a atenção dos condutores para esse problema que afeta de maneira impactante a sociedade. “Os acidentes motociclísticos e automobilísticos têm representado um grande problema de saúde pública para o nosso Estado e País. Eles representam uma grande parcela, senão a maior, dos pacientes internados em nossos hospitais”, diz o diretor Geral do HRBA, Hebert Moreschi. Ele afirma que essa realidade resulta em dois grandes problemas. “O primeiro é que os hospitais estão lotados, com os leitos ocupados, impedindo que pacientes com outras patologias acabem tendo acesso ao serviço. O segundo é que as vítimas são, em geral, pessoas jovens, que estão em idade produtiva e que, em função do acidente, podem se tornar pessoas incapacitadas para ter sua vida em sociedade”.

Como os casos que chegam ao Hospital Regional são de alta complexidade, os pacientes levam mais tempo para se recuperar. Após o procedimento cirúrgico, a reabilitação ainda depende da fisioterapia. “O tratamento é prolongado e envolve toda a família, não só o acidentado. Cerca de 90% da demanda do ambulatório de Fisioterapia é de pacientes que são vítimas de acidentes de trânsito”, diz o fisioterapeuta Cássio Aguiar.

Ao final da ação, os colaboradores da unidade se reuniram e soltaram balões brancos, como forma de simbolizar a paz no trânsito.

No Pará

Nos últimos três anos, mais de 35 mil vítimas foram atendidas em quatro hospitais públicos do Pará. No Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, que atende média e alta complexidades em traumas, são 4.940 atendimentos a vítimas de acidente de trânsito, sendo 2.413 a motociclistas, no período de janeiro a outubro de 2016. Em Marabá, o Hospital Regional do Sudeste do Pará (HRSP) já realizou 1.742 internações até outubro deste ano, número já superior ao ano de 2014 (1.620) e inferior ao ano de 2015 (1.955). Em Altamira, o Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT) realizou 663 internações de pacientes vítimas de acidentes de trânsito até outubro deste ano. Se comparado a 2014 (603 internações) e 2015 (637 internações), as estatísticas apontam para um número crescente.

Em média, um paciente vítima de acidente de moto gera custo de internação na ordem de R$ 7,2 mil no Hospital Metropolitano. Considerando os últimos três anos, a unidade de saúde estima que o impacto foi de cerca de R$ 80 milhões aos cofres públicos específicos ao tratamento destinado a vítima de acidentes de moto. Recursos públicos que poderiam ser investidos em patologias naturais, como acidente vascular cerebral, clinica médica e saúde do idoso.

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