Hospitais geridos pela Pró-Saúde no Pará praticam Método Canguru

“Foi a primeira vez que eu a vi, pude pegar no colo, sentir o cheirinho dela, abraçá-la. Foi ótimo. Uma emoção, que eu pensei que a minha pressão ia aumentar”. Esse é o relato da usuária internada na UTI adulto  do Hospital Materno-Infantil de Barcarena Dra. Anna Turan (HMIB), Lucirene Campos, sobre o primeiro contato que teve com a filha de apenas cinco dias de vida. 

Lucirene deu entrada na Unidade com diagnóstico de pré-eclâmpsia moderada e pneumonia, estava com 7 meses de gestação e precisou passar por uma cirurgia cesariana para a retirada da bebê. Ela e a filha Leanny Vitória ainda não se conheciam, porque a recém-nascida também precisou de cuidados intensivos na UTI neonatal da Unidade. Esta semana, através do método canguru, direcionado pela equipe multiprofissional do HMIB, foi possível realizar esse encontro tão esperado e desejado. 

O Método Canguru é uma forma de amparo ao recém-nascido prematuro internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e a sua família. O objetivo é o de realizar um trabalho humanizado, que reúne estratégias para melhor desenvolvimento desse bebê. Este método permite que os pais participem dos cuidados neonatais, o tempo da ação é de acordo com a escolha da família. 

Segundo a terapeuta ocupacional do HMIB, Djeyseanne Vaz, esse tempo é precioso para a evolução do estado de saúde do bebê. “Quanto mais tempo o Método Canguru for realizado, há maior probabilidade do RN ganhar peso, visto que é estimulado o vínculo entre a mãe e o bebê, isso faz com que o RN fique menos estressado e mais seguro tornando a permanência no hospital menos traumática”, esclarece. 

De acordo com a supervisora da UTI Neonatal do Hospital Regional de Marabá (HRSP), também gerido pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, Thais Sobrinho, o contato pele a pele entre mãe e bebê é importante para o desenvolvimento do recém-nascido. “O Método Canguru tem o objetivo de manter o contato entre o recém-nascido e a mãe. Ele é liberado somente após a criança ter 1,3kg. Também é uma prescrição de Enfermagem, que de acordo com o quadro clínico do RN, ele é encaminhado para ter esse contato pele a pele com a mãe. A prática melhora o ganho de peso e todos os parâmetros hemodinâmicos. O método também minimiza o tempo de permanência da criança na UTI Neonatal”, explica.

O papel do pai nesse momento de transição é imprescindível para o vínculo familiar. “Também incentivamos o pai quando vem visitar. Se o bebê estiver estável, é colocado o recém-nascido no colo dele para o processo, para que o bebê sinta a presença do pai, como no útero. Se possível, é feita a visita dos dois ao mesmo tempo”, explicou Thais.

“Já tem alguns dias que estou fazendo o método. A Sayla é minha primeira bebê e eu gosto muito quando faço o Canguru, porque eu a sinto pertinho, ajuda no desenvolvimento dela, então eu gosto muito. Acho que toda mãe tem esse sonho, principalmente a de primeira viagem, o nosso sonho é pegar o bebê no colo, fazer carinho, então para mim, é maravilhoso esse momento com ela” revelou Susi Silva, mãe da recém-nascida internada na UTI Neonatal do HRSP, Sayla Heloysa Silva.

A posição Canguru se faz com o recém-nascido em contato pele a pele com a mãe ou o pai, na posição vertical, este também é um grande estímulo para o aleitamento materno. O método é realizado por etapas, quando o bebê tem alta hospitalar, a equipe multiprofissional permanece acompanhando ele junto com a família em consultas ambulatoriais até atingir o peso de 2,5kg. 

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