HEGV realiza palestras e encontro entre famílias doadoras e transplantados

“Um coração novo repleto de agradecimento e muitas medalhas no peito”. Essa é a frase de vida do zelador José Osmar, de 45 anos, morador da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro. Após descobrir ser portador da doença de Chagas, ele ficou na fila de transplantes por três meses, até surgir um coração compatível.

Subir as escadas para chegar em casa era uma tarefa difícil, mas depois do transplante, ele conta que ganhou uma nova vida. “Eu sofria muito com todos aqueles degraus, tinha muita falta de ar, mas há cinco anos, ganhei um coração e tudo mudou. Agora, além de encarar as escadas, encaro as pistas. Sou um atleta transplantado, participo de corridas, fiz a meia maratona aqui no Rio e não quero parar nunca mais. A doação de órgãos faz milagres, traz a vida de volta e eu só tenho que agradecer à família que doou o coração. Que mais pessoas repitam esse gesto para que mais vidas sejam salvas”, disse.

José Osmar fez questão de participar da IV Semana de Doação de Órgãos do Hospital Estadual Getúlio Vargas (HEGV). O evento aconteceu nesta quarta-feira, 27/09, Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos. No período da manhã, os palhaços da trupe “Sorriso de Criança” percorreram os setores da Unidade para conscientizar colaboradores, pacientes e visitantes sobre a importância desta data. À tarde, no auditório, as equipes da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) e do Programa Estadual de Transplantes (PET) promoveram palestras e um encontro entre as famílias doadoras do HEGV e pacientes transplantados.

Segundo a enfermeira da CIHDOTT, Mônica França, o HEGV ocupa a terceira posição no ranking de doações de órgãos do Estado do Rio de Janeiro, o que é motivo de muito orgulho. “A Unidade já superou o número de doações de órgãos de 2016. Até agosto deste ano, foram realizadas 20 doações, uma a mais que em todo o ano de 2016. Isso só é possível porque a CIHDOTT não trabalha sozinha, é um trabalho de equipe que envolve todo o HEGV. É um desafio de conscientização e informação. Por isso, temos sempre que alertar para a importância de deixar a família avisada. A doação é o maior ato de amor que uma pessoa que vive a dor do luto pode ter”, ressaltou.

A enfermeira Rafaella Carvalho, coordenadora de Enfermagem do PET, também participou do evento. Ela abordou a logística de captação dos órgãos após a autorização familiar, destacando o sincronismo entre familiares, equipe cirúrgica e todo o hospital. “A gente corre contra o tempo, por isso, a entrevista familiar é importantíssima para todo o processo. O PET precisa de todos bem alinhados, falando a mesma língua, pois o objetivo principal é sempre salvar vidas”, ressaltou.

Após as palestras, os transplantados prestaram depoimento, agradeceram a oportunidade de receber um órgão e fizeram um apelo para que este assunto seja cada vez mais discutido. A universitária Patrícia Pina, de 40 anos, ficou quatro anos na fila, esperando um rim e hoje é uma participante ativa desta causa. “Sou transplantada há dois anos, sigo uma vida normal, trabalho dentro de uma escola estadual e tento fazer a minha parte. Na faculdade e no trabalho conto sempre minha história e procuro conscientizar as pessoas para que avisem aos familiares sobre o desejo de doar órgãos”, alertou.

Em 2015, o piloto de motocross Gabriel Montenegro, de 25 anos, viu sua vida mudar completamente enquanto participava de uma competição. Ele foi diagnosticado com uma síndrome rara causada por excesso de esforço e, após uma série de complicações, teve hepatite grave. “Eu precisava de um transplante de fígado com urgência, entrei na fila com prioridade zero e fiz a cirurgia três dias depois. Estou aqui graças a um doador, que foi um paciente do Getúlio Vargas. Sou grato a esta família que permitiu a doação de órgãos e peço para que todos aqui conversem com seus familiares. Eu nasci de novo por causa deste gesto. Já voltei a treinar motocross e espero que no ano que vem eu já possa competir”, afirmou.

No final do evento, os transplantados entregaram um balão em forma de coração às famílias doadoras. O momento mais emocionante foi o depoimento da enfermeira Michele Azevedo, de 30 anos. A mãe dela, a técnica de enfermagem Aides Cristina, era colaboradora do HEGV e veio a óbito após ser vítima de um atropelamento. A família, sem hesitar, optou pela doação de órgão. “Minha mãe era uma mulher muito feliz. E a melhor maneira de honrar toda essa alegria que ela tinha pela vida foi justamente proporcionando a felicidade de outras pessoas. Ver um transplantado é ter certeza que fizemos a escolha certa. Ela sempre me ensinou a ajudar o próximo e é isso que também quero passar aos meus filhos. Agradeço a todos os funcionários do Getúlio Vargas, o atendimento, a acolhida e deixo aqui uma mensagem para vocês: vivam intensamente, façam o bem e sejam felizes porque a gente nunca sabe como será o amanhã”, concluiu emocionada.

De acordo com dados do Sistema Nacional de Transplantes, do Ministério da Saúde, o Brasil tem atualmente mais de 32 mil pessoas à espera de um transplante de órgão.

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