Doação de órgãos salva vidas no Hospital Metropolitano

Há sete meses, a técnica e estudante de Enfermagem, Clelma Maia, tomou uma decisão difícil, mas inesquecível. Ao se deparar com a morte encefálica do irmão mais novo, que teve um traumatismo craniano, Clelma conversou com os demais familiares e optou pela doação de vários órgãos e tecidos. Foi possível captar coração, rins, fígado e córneas. A história do irmão de Clelma, de apenas 21 anos, que não usava capacete no momento do acidente de moto, trouxe o sentimento de tristeza inevitável pelo óbito, no entanto, também proporcionou outro tipo de sensação. “Não podia ser egoísta e dizer que queria o meu irmão de volta”, enfatizou Clelma, explicando. “A decisão de optar pela doação foi da família. E relatei a todos os familiares que estava saindo do hospital com a sensação de dever cumprido. Fiz o que poderia ter feito e ajudei a salvar outras vidas”, avaliou.

A família Maia foi uma das acolhidas pela Organização de Procura de Órgãos, setor mantido pelo Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua (PA), que atende usuários vítimas de trauma e queimados de média e alta complexidades. E em alusão ao dia nacional do doador de órgãos, comemorado na última terça-feira, 27/9, o Hospital Metropolitano aderiu à campanha “Setembro Verde”, que é, no Estado, organizada pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) por meio da Central de Transplantes. Com o tema “Doação de Órgãos: Passe essa ideia adiante”, foram realizadas ações de conscientização no hall de entrada da unidade de saúde. A programação terá ações internas e externas, objetivando incentivar a doação de órgãos e tecidos no Pará. Nas próximas quinta e sexta-feira, 29 e 30/9, os colaboradores do hospital irão ministrar palestras sobre o tema em duas comunidades.

A Organização de Procura de Órgãos do Hospital Metropolitano tem a função é organizar e apoiar o processo. As atividades das OPO abrangem o processo de doação de órgãos e tecidos, a manutenção do potencial doador, a construção de parcerias e a capacitação para identificação e efetivação da doação de órgãos ou tecidos. O setor foi implantado em 2014, sendo composto por seis enfermeiros, responsáveis pela busca ativa e notificação de potenciais doadores, além da coordenação de todo o processo de doação desde a detecção, manutenção até o momento da cirurgia de captação de rins, córneas, fígado e coração. O processo também envolve a equipe multiprofissional do hospital. Para se tornar um doador, é preciso apenas expressar o desejo, comunicando a família, não sendo necessário deixar nada documentado, nem registrado na carteira de identidade.

O enfermeiro da OPO do Hospital Metropolitano, Willian Serra, explicou que o setor trabalha a partir de uma busca ativa dos usuários com perfil de morte encefálica, por meio de um protocolo, que analisa, entre outras causas, parada irreversível de todas as funções, ausência de reflexos de tronco. Também é feita uma avaliação do potencial doador para uma possível entrevista com a família a respeito do ato nobre de doar órgãos e tecidos. “A doação de múltiplos órgãos pode ajudar no retorno de até dez pessoas à sociedade. Aqui no Hospital Metropolitano, temos, em média, duas captações de órgãos realizadas mensalmente. Nós atuamos desde processo de captação do potencial doador até a entrega do corpo à família, passando pela diagnostico de morte encefálica, abertura e fechamento de protocolo, e participando da cirurgia de captação”, disse. 

A diretora assistencial do Hospital Metropolitano, Ivanete Prestes, considerou o trabalho da OPO imprescindível. “Trabalhamos de forma a preservar a vida. E a OPO é fundamental nesse sentido. A ideia é ampliar a conscientização das pessoas sobre a importância deste ato”.   

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