Controle nutricional ajuda na recuperação de renais crônicos atendidos no Hospital Regional de Altamira

Há dez meses, a dona de casa Sidevani Maciel da Silva, de 40 anos, recebeu o diagnóstico de insuficiência renal crônica. A doença consiste na perda da capacidade de os rins filtrarem as impurezas do sangue, como resíduos, sais e líquidos. Dependendo do caso, o paciente precisa enfrentar a hemodiálise, procedimento no qual uma máquina faz a função do órgão, filtrando o sangue e devolvendo-o limpo ao corpo. Na região do Xingu, o Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira (PA), é a única unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) que oferece o serviço. É lá que, três vezes por semana, Sidevani passa por esse processo.

“Desde janeiro eu estou no hospital e senti uma melhora abrupta no meu organismo depois do tratamento. No Regional, eu tenho todo o acompanhamento da equipe. A vontade de ficar boa é maior ainda, por isso, obedeço às orientações”, declara a usuária Sidevani. A dona de casa está entre os 92 pacientes atendidos pela equipe de Nefrologia do HRPT, e que serão beneficiados pelo projeto “Medida Caseira dos Alimentos”. A iniciativa tem o objetivo de melhorar a qualidade de vida desses usuários e reduzir o número de internações e de óbitos de pacientes crônicos renais. Para isso, será feito o monitoramento e controle de ingestão de alimentos e bebidas. O projeto é coordenado pelo Serviço de Nutrição e Dietética do HRPT. 

Assim como Sidevani, a dona de casa Nélia Rodrigues da Silva é usuária do serviço e está sendo acompanhada por uma equipe multiprofissional da unidade. “Eu cheguei muito debilitada. A cada dia que passa, me sinto melhor. Vejo a dedicação, a preocupação de todos para restabelecer a saúde dos pacientes. Assim, a tendência é melhorar”, comenta ela. 

O controle alimentar é feito pela nutricionista Viviane Cunha, que entrevista cada um dos pacientes para saber o consumo nutricional do dia anterior e as quantidades de comidas e bebidas ingeridas. “É a partir da elaboração desse questionário, que podemos orientar bem melhor os pacientes para se alimentarem de acordo com as restrições da doença. É com esse controle que será possível identificar se o paciente está ingerindo carne acima do recomendado, a quantidade de líquido acima do permitido, ou, se o consumo alimentar está muito aquém do necessário”, explica a colaboradora.

A proposta é deixar a alimentação mais próxima da realidade dos usuários, inclusive os que fazem hemodiálise, e, ao mesmo tempo, reduzir o acúmulo de toxinas que normalmente seriam eliminadas pelos rins, mas acabam ficando retidas por conta da perda da capacidade de filtrá-las no próprio organismo. Isso contribui para evitar problemas como a retenção de líquido, que pode causar edema pulmonar agudo ou outro agravo, levando o paciente a óbito.

Dependendo do quadro clínico do paciente, além de ser acompanhado na unidade, ele também pode receber visita dos profissionais do HRPT em sua própria casa.

 

Restrições alimentares

Pacientes renais crônicos não podem ingerir alimentos industrializados, como carne enlatada, conservas, mortadela, presunto, queijos defumados, refrigerantes e bebida alcoólica. Mas há também os alimentos que eles precisam fazer o controle permanente, como carne bovina, por concentrar uma elevada quantidade de fósforo e proteína, essa última substância libera altas doses de ureia e creatinina. Além disso, os pacientes devem controlar a quantidade de líquido ingerido, por exemplo, água, café, chá e suco, sendo que todos os líquidos devem obedecer ao limite diário de ingestão de 600 ml.

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