Com festa, Oncológico Infantil inicia programa que suaviza cuidados com jovens e crianças

Mônica, Cebolinha, coelhos da Páscoa e palhaços romperam a rotina de crianças que estão em tratamento no Hospital Oncológico Infantil Octavio Lobo na manhã desta sexta, 7/4, em Belém. Em meio à folia e ao alvoroço de brincadeiras, com brindes distribuídos, e ao gosto de bolo, pipocas e sanduíches, o hospital lançou suas atividades dentro do “Projeto Dodói” – ação que tem como objetivo tornar menos dolorosa, mais lúdica e amigável a rotina de tratamento de câncer entre crianças de 3 a 14 anos em todo o Brasil.

O “Projeto Dodói” é uma iniciativa da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale). A meta é humanizar e aprimorar cuidados com essas crianças, desde o diagnóstico até o final dos seus tratamentos. A entidade estima que mais de 400 crianças tenham sido beneficiadas até o momento com kits especiais que incluem jogos, bonecos e publicações que ajudam profissionais de saúde e assistência a dialogar melhor com o público infantil e jovem.

Os personagens da Turma da Mônica, do desenhista Mauricio de Sousa, ajudam essa iniciativa. Parceiro do projeto, o caturnista brasileiro chegou a criar personagens específicos para tratar desse universo de necessidades de cuidados e desafios ao tratamento oncológico de crianças – retratados em publicações e jogos que fazem parte dos kits e também dos cartazes de campanha.  

Cuidados – As atividades lúdicas disponíveis nos kits do “Projeto Dodói” proporcionam, além das brincadeiras, maneiras de captar e trabalhar sentimentos que são muito comuns em crianças sob cuidados médicos e envolvidas por rotinas em hospitais, como o medo, a culpa, a raiva, frustações, depressão e outros.    

Com a participação do Oncológico Infantil na ação nacional do projeto, colaboradores do hospital de Belém – que hoje é referência estadual em tratamento do câncer para mais de 650 crianças e jovens de 0 a 19 anos – passaram também por treinamentos para usar os bonecos, jogos e brinquedos dos kits em situações rotineiras.  

“Nossos kits, dirigidos inicialmente a crianças e jovens de três a 14 anos que iniciaram tratamento recentemente no hospital, passarão depois a ser utilizados progressivamente nos cuidados das demais crianças atendidas pelo Oncológico”, disse Tatiane Santos, diretora administrativa e financeira do hospital.

“Os bonecos, jogos e brinquedos ajudam as crianças a se expressarem melhor. Criam canais de comunicação com enfermeiros, médicos e outros colaboradores que prestam atendimento. E Esses são recursos que nos ajudam muito em situações como, por exemplo, a necessidade de um exame em que a criança possa sentir medo. Há casos em que se faz primeiro a simulação de exame no brinquedo. E a criança até se sente motivada a ir depois. ‘É a minha vez agora’, dizem”, avalia a coordenadora de humanização do Oncológico Infantil, Paula Viana.  

Dia de festa – Desde cedo a recepção do Hospital Oncológico Infantil, na 14 de Abril, em São Brás, estava tomada de balões. Ansiosas, as crianças aguardavam curiosas pelas surpresas. Durante a manhã, os personagens Cebolinha e Mônica já passeavam pelos corredores, incentivando animadas correrias saltitantes, plantando sorrisos marotos e espichando olhos – mesmo que muitos dos rostos infantis estivessem protegidos por máscaras.

Ao meio da manhã, quando a festa finalmente começou, o hospital parece que havia desaparecido do mapa: na clara recepção do Oncológico, adornada momentaneamente por balões multicores e tomada por brinquedos distribuídos e algazarras, entre disputadas guloseimas, nada mais havia além de meninos e meninas esquecidos dos propósitos de suas duras rotinas no hospital: ali, se abraçavam, empurravam, confraternizavam, dançavam e brincavam ao lado de palhaços, pais, mães, animadores e amigos adultos que trabalham no hospital – também momentaneamente esquecidos de seus papéis de cuidadores, e envolvidos ali em largos sorrisos.-

“Acho isso tudo muito, muito bom. Ajuda e melhora muito a vida de meu filho”, sorria, em meio à animação da manhã, Lucinalva Silva, 32, mãe de N.S., 12, garoto que iniciou seu tratamento no hospital em janeiro passado. “Tudo que estamos vivendo aqui dá força. Assim é mais difícil ele [o filho] ficar pensando besteira. Ele estava muito triste, chorando pelos cantos. Assim saímos de casa e ele melhora”.

Depois que o menino iniciou o tratamento, mãe e filho precisam vir todos dos dias ao Oncológico Infantil. No hospital, além dos cuidados, o garoto também frequenta aulas para continuar os estudos interrompidos na sétima série – tudo pelo projeto Prosseguir, que a instituição mantém em parceria com a Secretaria Estadual de Educação (Seduc).

“Pelo menos no Oncológico ele se anima mais e também estuda. Parecem coisas pequenas, mas que fazem muita diferença. Tudo melhora até para a gente que é da família, para mim que sou mãe”, pondera Lucinalva. 

Para o Oncológico Infantil, a parceria com o Projeto Dodói é muito oportuna. O hospital paraense, gerenciado pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, sob contrato com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), hoje é considerado o maior do Brasil dedicado ao atendimento oncológico voltado a esse público, em volume de serviços.

Ao todo, o Oncológico Infantil realiza cerca de 550 consultas por mês, além de 2.500 sessões mensais de tratamentos com quimioterapia, bem como atendimento de urgência e emergência oncológica. Em seus 89 leitos disponíveis – dez destinados à UTI -, o hospital tem médias de ocupação que variam entre 100% e 80%. Ao todo, são cerca de 110 internações feitas a cada mês. Os 79 leitos restantes, fora da UTI, têm uma rotina com média de 18 dias de internação. Ao todo, são cerca de 110 internações feitas a cada mês.

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