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Agência Pará - Doação de sangue garante a vida de pacientes em hospitais

 

 

A dona de casa Melissa Chaves, 36 anos, começou a doar sangue na Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa) em 2015. Foi duas vezes, motivada pelo prazer de ajudar a quem necessita de sangue. Só que em janeiro deste ano, a rotina de doadora foi interrompida. Melissa sofreu um acidente doméstico, depois da explosão de um gás de cozinha. A dona de casa chegou ao Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), referência para esse atendimento na região norte, com 45% do corpo queimado. Hoje, é a doadora do Hemopa quem precisa do sangue de outras pessoas para continuar vivendo.

Melissa foi submetida a constantes cirurgias com raspagens e enxertos de pele e necessita repor, frequentemente, o seu sangue tipo A, que é perdido durante os procedimentos. Ela continua internada, sem previsão de alta, e sabe da necessidade de ter um estoque de sangue que atenda casos de urgência como os dela. “Nunca pensei que um dia eu fosse estar aqui, do outro lado, precisando tanto de sangue. Hoje eu sei a importância de cada gota doada para continuar me dando esperanças”, disse Melissa.

No Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, de acordo com a Agência Transfusional, em média, 90% dos pedidos de sangue são em caráter de urgência, pela característica do Hospital, que atende vítimas de traumas e queimaduras de média e alta complexidade. O Hospital Metropolitano é um dos que mais precisam de sangue, junto a outros da Rede Estadual de Saúde, como o Centro Oncológico Infantil Octávio Lobo e o Hospital Ophir Loyola.

O Hemopa está preocupado com a queda na frequência de doadores, ocasionada pelas chuvas e endemias do período, como a dengue. Para que o Hemopa consiga manter o estoque de sangue adequado, são necessárias 350 doações por dia. No entanto, a média vem sendo de 200. Às vezes não se consegue nem 150 doadores por dia. “Atualmente, 2% da população paraense doa sangue, mas o ideal, segundo a recomendação da Organização Mundial de Saúde, seria que de 3 a 5% da população doasse, para não faltar sangue no serviço”, disse Carlos Vítor Ramos, coordenador de hemoterapia do Hemopa.

O Centro de Hemoterapia também está preocupado com os pacientes com problemas hematológicos, como leucemia ou anemias profundas. Normalmente eles precisam de um dos componentes do sangue que são as plaquetas (células sanguíneas produzidas na medula óssea, que atuam na formação de coágulos de sangue para evitar hemorragias) em uma maior quantidade, e essas plaquetas duram em média 5 dias. O desafio do Hemopa é criar estratégias para aumentar a produção de plaquetas correspondentes a essa demanda. “É importante que as pessoas tenham em mente que esse simples ato de solidariedade e cidadania, de você comparecer ao Hemopa para doar sangue, pode salvar até quatro vidas. De uma simples bolsa, com 450 ml, se tiram várias outras bolsas que podem ser úteis para os pacientes que estão precisando”, reforça Iê Bentes Fernandez, médica hematologista do Hospital Metropolitano.

Treze pacientes com leucemia estão internados atualmente no Hospital Ophir Loyola, centro de referência no tratamento de câncer no Estado. Há dois anos, Eliomar Monteiro, 38, fez uma cirurgia de coluna e os exames pré-operatórios revelaram a leucemia. Casado e com uma filha de cinco anos, Eliomar descobriu que três dos seus seis irmãos são doares compatíveis de medula, o que é considerado uma raridade. A possibilidade de um parente ter a medula compatível com a do paciente é de 25 a 35%. No Brasil, a estimativa é de um doador compatível para cada 100 mil doadores. Mas para que Eliomar possa viajar e realizar a sua tão sonhada cirurgia, ele precisa receber mais sangue para se recuperar. “Quando a médica descobriu que a medula da minha irmã é compatível, nem ela acreditou. Recebi a notícia de uma nova vida, mas pra fazer essa cirurgia, eu preciso me fortalecer recebendo mais sangue. É o sangue de desconhecidos que me mantém vivo e vai me ajudar a sair dessa situação triste”, completou.

Felipe Costa, 24, toca violão para aliviar a angústia de estar longe da família, que mora no município de Magalhães Barata, nordeste do Pará. Há dois anos ele descobriu que tinha leucemia e depende da solidariedade de pessoas que nunca viu. “O gesto de doar sangue é uma coisa tão simples para quem está saudável, mas de uma importância decisiva pra gente que precisa. Só estando aqui pra saber”, definiu.

Solidariedade - Já José Rodrigo Lima, 23, após saber da campanha Doadores Futebol Clube na TV Cultura, convocando os torcedores dos times de futebol a doar sangue, foi até o Hemopa dar sua contribuição. “A importância é poder ajudar o próximo, esse é meu interesse maior em estar aqui e acho que todo mundo deveria fazer o mesmo”, disse o estudante que doou sangue pela primeira vez.

Critérios da doação: Podem doar sangue pessoas com boa saúde, que tenham entre 16 e 69 anos e pesem acima de 50 quilos. Menores de 18 anos podem doar somente com autorização dos pais ou responsável legal. É necessário portar documento de identidade original e com foto, além de estar bem alimentado. O homem pode doar a cada dois meses e a mulher a cada três. Para fazer o cadastro de doadores de medula óssea, o candidato deve estar bem de saúde, ter entre 18 e 55 anos e portar documento de identidade original e com foto.

Serviço: A Fundação Hemopa fica na travessa Padre Eutíquio, 2109, em Batista Campos, e a Estação de Coleta Hemopa-Castanheira, no térreo do Pórtico Metrópole (BR-316, km 1). As coletas são feitas de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 18h, e aos sábados, das 7h30 às 17h. Mais informações pelo Alô Hemopa (0800 280 8118).

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